Planalto teme ligação de Mares Guia e Azeredo

Possível denúncia do procurador-geral por suposto envolvimento no ?mensalão mineiro? enfraqueceria ministro

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

Há muita apreensão no governo com a possibilidade de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciar o ministro das Relações Institucionais Walfrido Mares Guia, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de arrecadação de dinheiro montado em 1998 para a campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador. O esquema, que teve a participação do empresário Marcos Valério - o mesmo do escândalo do mensalão - ficou conhecido por "mensalão mineiro".Para a Polícia Federal, o esquema foi o embrião do escândalo do mensalão no governo Lula e teria arrecadado mais de R$ 100 milhões à custa de desvio de dinheiro público e de estatais. O temor do Planalto agora é que uma denúncia de Souza o atinja, além de não enfraquecer Mares Guia. O ministro tem como uma de suas principais funções a relação com o Congresso. É ele que negocia com os parlamentares a liberação das emendas e as nomeações para cargos em estatais, segundo escalão e até ministérios.Auxiliares de Lula contam que, ao ser convidado no primeiro governo para ser ministro do Turismo, Mares Guia teria dito ao presidente que era alvo de uma investigação da PF, mas não tinha nenhum envolvimento com o caso, pois fora coordenador da campanha de Azeredo em 1994. Segundo ele, na eleição de 1998, que o tucano perdeu para Itamar Franco, o coordenador da campanha foi Carlos Eloy e o coordenador financeiro, Cláudio Mourão.Mares Guia teria explicado a Lula que, como correligionário e acima de tudo amigo de Azeredo, ajudou-o no segundo turno das eleições de 1998, inclusive com empréstimos pessoais para tapar buracos de campanha. Numa das vezes, segundo o ministro, o dinheiro foi depositado numa conta da SMPB, uma das agências de Marcos Valério, que também apareceu durante todo o escândalo do mensalão.No sábado, logo depois de divulgada reportagem da revista IstoÉ sobre o mensalão mineiro, Mares Guia informou em nota que em 2002, quatro anos após a campanha, Azeredo estava sob ameaça de protesto, por causa de uma dívida de campanha cobrada por Cláudio Mourão. Na nota, o ministro explicou que fez então um empréstimo, em nome da holding Samos Participações (que administra seus bens), "para ajudar o amigo a saldar a dívida", e o dinheiro foi depositado na conta indicada nos papéis levados a ele.

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