Planalto teme efeito cascata e promete troco a Serra

Foi nervoso o dia de ontem no Planalto. Em reunião com o núcleo político do governo, o presidente Lula pediu que a investigação sobre o ex-assessor Waldomiro Diniz seja ampla e não deixe margem a dúvida no ano eleitoral. Lula irritou-se ao descobrir que o ministro José Dirceu (Casa Civil) sabia da denúncia desde o ano passado e, mesmo assim, preservou o assessor. Agora, o Planalto decidiu criar uma rede de proteção em torno de Dirceu e promete dar o troco no presidente do PSDB, José Serra. Em outras palavras: retaliar. O governo e os dirigentes petistas estão convencidos de que Serra e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) estão por trás da divulgação do vídeo à revista Época. A ordem no PT é vasculhar a vida dos dois para bombardeá-los, embora oficialmente ninguém admita isso. Na fita, gravada na campanha de 2002, Waldomiro aparece pedindo propina ao bicheiro Carlos Ramos. Na época, o ex-assessor dirigia a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O caso Waldomiro alterou a rotina do Planalto. Lula cancelou a agenda da tarde e ficou horas com assessores para discutir como enfrentar a crise. Estavam na reunião o publicitário Duda Mendonça, Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento), Eugênio Bucci (Radiobrás), André Singer (porta-voz de Lula) e Ricardo Kotscho (Imprensa). O temor do governo é com o efeito cascata das denúncias. Por isso, tenta a todo custo bloquear a criação de uma CPI e limitar o episódio, insistindo em que ocorreu antes do início da administração petista, como destacou Dirceu ao entregar a mensagem do presidente ao Congresso, na abertura dos trabalhos. O tom da declaração do chefe da Casa Civil foi decidido de manhã, em reunião de Lula com os ministros. Na primeira conversa do dia, Lula pediu ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informações sobre as providências adotadas e o andamento das investigações. Estavam presentes no gabinete Dirceu, Dulci, Gushiken, Wagner, Antônio Palocci (Fazenda) e Aldo Rebelo (Articulação Política). Lula determinou que o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, acompanhe as investigações. Alerta - "O PT não vai ficar na defensiva", afirmou o presidente do partido, José Genoino. "Vamos fazer o enfrentamento político com o PSDB e nos preparar pra a defesa. Não somos ingênuos nem aceitamos esse jogo sujo." Ele disse ainda que o PT está em "estado de alerta" para defender o governo. Os petistas não querem dar palanque para a oposição, com a CPI, justamente num ano de eleições. Além disso, estão convencidos de que, se a CPI for instalada, a chamada "agenda negativa" contaminará o dia-a-dia da administração. "Não é conveniente nem para o PT nem para o governo que uma denúncia de maio de 2002 seja vinculada ao Planalto em 2004", concluiu Genoino.

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