Planalto teme cenário favorável à oposição

Principal preocupação é de eleger substituto afinado com governo

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), continua decidido a não abrir mão do cargo, mas as discussões sobre possíveis candidatos à sua sucessão já começaram. Preocupado em manter o comando da Casa, o governo quer eleger outro senador afinado com a sua política ou que tenha, pelo menos, comportamento neutro. O nome que está sendo negociado dentro da base governista é o de Gerson Camata (PMDB-ES).O temor do Planalto é de que a crise política aberta no Senado por conta da situação de Renan crie um cenário favorável a uma candidatura de oposição. Alvo de seguidas acusações, o presidente do Senado está enfraquecido politicamente e sua permanência no cargo é considerada pelos próprios colegas cada vez mais duvidosa.Todo o movimento do governo para monitorar a sucessão de Renan, porém, tem sido feito com cuidado, justamente para tentar não prejudicar ainda mais a sua situação. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o senador, na noite de terça-feira, para saber como estavam as coisas.Lula ficou preocupado com o impacto da declaração que dera no México, de que cobraria a votação no Senado de projetos do interesse do governo. No telefonema, pretendeu deixar claro a Renan que não estava fazendo cobranças a seu comportamento como presidente da Casa.Na conversa, Renan repetiu que é inocente e não renunciará ao cargo. Garantiu ainda que as votações de projetos no Senado continuarão normalmente. E, de fato, os senadores aprovaram na noite de terça-feira várias medidas provisórias e pelo menos um projeto de destaque: o do Super-Simples, que beneficia tributariamente as pequenas e microempresas.JARBASIndependentemente das garantias dadas pelo senador, o Planalto sabe que não pode se descuidar, já que a oposição também se movimenta e, numa eventual disputa, avalia a idéia de lançar a candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à presidência do Senado. Ao apoiar um peemedebista, o PSDB e o DEM acreditam que conseguirão atrair votos de senadores independentes do PMDB e mesmo de outras legendas, como PDT e PSB.Além disso, a candidatura de Jarbas manteria a tradição do Senado de escolher para ocupar a presidência um político do partido com a maior bancada, caso dos peemedebistas. A questão é que, embora o PMDB seja alinhado ao Planalto, Jarbas é hoje um dos parlamentares mais críticos ao governo.OTIMISMOA resistência política de Renan, entretanto, deve adiar ao máximo esse processo. Ele acredita que o Conselho de Ética do Senado vá inocentá-lo da acusação de permitir que o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, pagasse despesas pessoais suas, incluindo a pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.O senador também tem sido acusado de usar laranjas para a compra de duas emissoras de rádio em Alagoas e os partidos de oposição têm levantado dúvidas sobre recibos apresentados por ele sobre operações de compra e venda de gado realizadas em Alagoas. Essas negociações foram apresentadas pelo senador como prova de que tinha rendimentos suficientes para pagar a pensão a Mônica, sem necessidade de recorrer a Gontijo ou à Mendes Júnior.Aliados do parlamentar têm se impressionado com a sua resistência em deixar o posto, apesar de toda a pressão política. Reiteram que o senador não pretende renunciar à presidência da Casa e muito menos ao mandato parlamentar.

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