Planalto quer voto aberto no Conselho de Ética

O Palácio do Planalto decidiu pressionar os integrantes do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para que defendam a votação aberta do relatório do senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), que estabelecerá a punição contra os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF). Com a campanha pró-voto aberto, o governo busca livrar-se da suspeita de que teria feito acordo velado para se proteger da instauração de uma CPI com o objetivo de investigar corrupção, dando, em contrapartida, empenho para que os acusados escapem da cassação. No voto aberto, as negociações são mais difíceis do que com a votação secreta, como defendem os parlamentares ligados a ACM e Arruda.Enquanto ocorre a discussão sobre a tramitação no Conselho de Ética e Decoro, os principais envolvidos no processo tentam agir aparentando normalidade. ACM foi ao plenário e fez apartes no discurso de Simon, que falou de ética e moral na política. Na saída, ao contrário do que afirmou anteriormente sobre a necessidade de criar a CPI mista, ele criticou a tentativa da oposição de ressuscitar as investigações, agora, só no Senado. "Se aqueles que querem me punir pretendem ter minha assinatura, não posso os atender", disse ele, em tom de ironia.Já o senador José Roberto Arruda (sem partido-PSDB) não foi ao plenário e tentou evitar o contato com a imprensa. Ao ser surpreendido pelos jornalistas, reagiu com nervosismo. "Vocês já não fizeram uma porção de fotos minhas?", indagou ele. Ao entrar no gabinete, ele esbarrou num fotógrafo e pediu: "Por favor, saia." Em seguida, a porta foi fechada. A assessoria informou que ele passou a tarde retornando a telefonemas e pondo as atividades em dia. Os assessores destacaram ainda que as mensagens de "apoio e solidariedade" continuam chegando ao gabinete.

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