Planalto quer que governadores tucanos lutem por CPMF

PSDB no Senado já decidiu contra o tributo; governo acredita que pode conseguir votos de dissidentes

Cida Fontes, do Estadão,

18 de novembro de 2007 | 21h37

O Planalto vai trabalhar, nesta semana, para que os governadores tucanos convençam o maior número possível de senadores do partido a votar a favor da prorrogação da CPMF até 2011. A bancada do PSDB já discutiu o assunto, e decidiu votar contra, mas como não fechou questão o governo avalia que há margem para negociar votos no meio tucano com a ajuda dos governadores do partido. Veja também: Entenda como é a cobrança da CPMF Tasso acusa governo Lula de 'muita soberba' ao negociar CPMFTupi fortalece Minas e Energia; PMDB quer ministério por CPMF Dos três senadores do PSDB que representam Estados administrados pelo partido, dois - Cícero de Lucena (PB) e João Tenório (AL) - têm se manifestado, na bancada, de maneira contundente contra a CPMF. Mas os interlocutores de Lula esperam que os governadores Cássio Cunha Lima (PB) e Teotônio Vilela (AL) ajudem na conquista dos votos de Cícero e Tenório a favor da CPMF. Outro senador que tem relação estreita com o governador de seu Estado é Eduardo Azeredo, ligado a Aécio Neves (MG). Ele foi voto vencido na reunião da bancada ao defender a continuidade das negociações do PSDB com o governo. "Os governadores podem se movimentar, mas a bancada já assumiu sua posição", disse neste domingo Azeredo, afirmando que até o momento não recebeu nenhum apelo de Aécio para favorecer o Planalto.  O senador reconhece que o governo já aperfeiçoou sua proposta ao acertar com os aliados a redução gradual da alíquota da CPMF. "Mas essa redução ainda continua tímida, e não vejo nenhuma proposta relevante à vista", ressaltou Azeredo. Na avaliação de senadores do PSDB, a prorrogação só beneficia o governo Lula e, na eventualidade de os tucanos voltarem ao poder, em 2011, a arrecadação seria menor por conta da redução gradativa da alíquota. Conforme a proposta governamental, estaria em 0,30%.  O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não vê também possibilidade de a bancada voltar atrás. "Deixamos isso muito consolidado. É uma questão de honra do partido", observou. "O presidente Lula pode perder seu tempo que ele não conseguir mudar votos na bancada usando os governadores", completou.  Para o senador paranaense, os governadores não têm como impor a defesa da CPMF e uma iniciativa nesse sentido seria "desastrosa". Ele lembrou também que a situação do governo está delicada e depende principalmente que sua base absolva o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para não correr mais riscos. "A eventual cassação do mandato de Renan aumenta os votos do PMDB contra a CPMF", concluiu. 

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