Planalto quer mobilização por nova CPMF

Vice-presidente José Alencar se dispõe a ir à Fiesp defender recriação do imposto do cheque

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

O Planalto quer a receita, mas não quer o desgaste de patrocinar a recriação da CPMF, batizada agora de Contribuição Social para Saúde (CSS). Para contornar as resistências ao imposto do cheque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na reunião do conselho político, que só uma mobilização popular poderá recriar a taxa.

Ontem, a CSS ganhou um aliado declarado dentro da Esplanada: o vice-presidente José Alencar, que se dispôs a ir à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo defender o novo imposto. "Se for preciso, vou à Fiesp defender a proposta", afirmou Alencar na reunião com os líderes. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), por sua vez, disse que vai procurar os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), para pedir apoio à proposta de criação da CSS. "Quero saber se eles estão dispostos a viabilizar mais R$ 12 bilhões para a saúde. Não será uma guerra entre governo e oposição. Ou será um pacto, ou não será", afirmou Fontana.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, só uma grande mobilização vai garantir a aprovação da nova contribuição. "É preciso que haja uma mobilização de prefeitos, de governadores e de toda a sociedade para aprovar a CSS", declarou o ministro, ao ressaltar que o governo não vai tomar frente nessa discussão.

Múcio observou que o governo se empenhou para votar a prorrogação da CPMF, mas não teve sucesso. "O Brasil inteiro sabe que a saúde precisa de mais recursos. Mas é uma decisão do Senado e da Câmara."

Embora tenha dito que ficará fora desse debate, o governo já tem um discurso para defender mais recursos para o setor, a gripe A H1N1 (gripe suína). "O presidente está preocupado com o quadro da saúde. Há estimativa de um aumento de mortes nos Estados Unidos e na Europa, no inverno. E por isso é preciso também que aqui haja uma grande mobilização para prevenir o Brasil da gripe", afirmou o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).

Na reunião de ontem, parlamentares tentaram arrancar de Lula um comprometimento na luta pela CSS, mas não obtiveram sucesso. No Senado, os líderes avisaram da dificuldade de o novo impostos ser aprovado e o desgaste que isso poderia trazer para o governo, às vésperas das eleições.

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