MARCIO RIBEIRO
MARCIO RIBEIRO

Planalto quer identificar quem da PF orientou Calero a gravar conversa com Temer

Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, prefere não comentar o caso

O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2016 | 13h29

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar as declarações do ex-ministro Marcelo Calero ao programa Fantástico , da Tv Globo, de que foi orientado por "amigos da Polícia Federal" a fazer gravações que respaldassem suas acusações contra o presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. 

O Estado apurou, contudo, que o Palácio do Planalto estranhou a afirmação do ex-ministro e busca identificar quem da Polícia Federal orientou Calero a gravar o presidente da República e outros envolvidos no episódio.

"O que eu fiz, até por sugestão de alguns amigos que tenho da PF, nos momentos finais, para me proteger e para dar o mínimo de lastro probatório sobre aquilo que eu relatei no meu depoimento, eu fiz algumas gravações telefônicas, ou seja, de pessoas que me ligavam", disse o ex-ministro Calero à TV Globo. 

Calero afirmou que entre essas gravações há uma conversa dele com o presidente da República, Michel Temer, por telefone. "É uma gravação absolutamente burocrática, inclusive eu fiz questão que essa conversa fosse muito protocolar. Tive a preocupação de não induzir o presidente a entrar em qualquer tema para não criar prova contra si", complementou.  

Calero acusou a cúpula do governo de pressioná-lo para interferir numa decisão do Iphan nacional que embargou a construção de um prédio em Salvador onde ex-ministro Geddel comprou um imóvel na planta. Temer, Padilha e Geddel sustentam que solicitaram apenas que o caso fosse remetido do Iphan nacional para análise da Advocacia Geral da União (AGU).

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