Planalto quer corpo-a-corpo dos governadores no Senado pela CPMF

Bancada do PSDB já decidiu votar contra prorrogação, mas governo avalia que há margem para negociar

Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2007 | 00h00

O Palácio do Planalto vai trabalhar, nesta semana, para que os governadores tucanos convençam o maior número possível de senadores do partido a votar a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. A bancada do PSDB já discutiu o assunto e decidiu votar contra, mas, como não fechou questão, o governo avalia que há margem para negociar votos no meio tucano com a ajuda dos governadores.Amanhã, a Executiva Nacional do PSDB se reúne para se despedir do senador Tasso Jereissati (CE), que deixa a presidência do partido nesta semana - e não está afastada a possibilidade de a prorrogação da CPMF voltar à discussão. Dos três senadores do PSDB que representam Estados governados pelo partido, dois - Cícero de Lucena (PB) e João Tenório (AL) - têm se manifestado, na bancada, de maneira contundente contra a CPMF. Mas os interlocutores de Lula esperam que os governadores Cássio Cunha Lima (PB) e Teotônio Vilela (AL) ajudem na conquista dos votos de Cícero e Tenório a favor da CPMF. Outro senador que tem relação estreita com o governador de seu Estado é Eduardo Azeredo (MG). Ele foi voto vencido na reunião da bancada ao defender a continuidade das negociações do PSDB com o governo. "Os governadores podem se movimentar, mas a bancada já assumiu sua posição", disse Azeredo ontem. Ele garante que até o momento não recebeu nenhum apelo do governador Aécio Neves para favorecer o Planalto. O senador reconhece que o governo aperfeiçoou sua proposta ao acertar com os aliados a redução gradual da alíquota da CPMF. "Mas essa redução ainda continua tímida e não vejo nenhuma proposta relevante à vista", ressaltou. Na avaliação de senadores do PSDB, a prorrogação só beneficia o governo Lula e, na eventualidade de os tucanos voltarem ao poder, em 2011, a arrecadação seria menor por conta da redução gradativa da alíquota - estaria em 0,30%. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não vê também possibilidade de a bancada voltar atrás. "Deixamos isso muito consolidado. É uma questão de honra do partido", observou. "O presidente Lula pode perder seu tempo que ele não conseguirá mudar votos na bancada." Para Dias, os governadores não têm como impor a defesa da CPMF e uma iniciativa dessas seria "desastrosa". Ele argumentou também que a situação do governo está delicada e depende de sua base absolver o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). "A eventual cassação do mandato de Renan aumenta os votos do PMDB contra a CPMF."

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