Sebastião Moreira/EFE
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Planalto prevê protestos contra Dilma no Acre nesta quarta

Governo vai intensificar tentativa de entendimento com movimentos sociais e o monitoramento na internet para evitar surpresas

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 12h02

Atualizado às 16h36

Brasília - Depois de ter sido surpreendido em mais um protesto contra a presidente Dilma Rousseff, nessa terça-feira, 10, ao visitar os estandes da 21ª Edição do Salão Internacional da Construção, em São Paulo, o governo decidiu intensificar a tentativa de entendimento com os movimentos sociais durante as viagens presidenciais. Nesta quarta-feira, 11, a presidente estará em Rio Branco, no Acre, e um protesto "Fora Dilma" deve esperá-la no aeroporto da cidade, conforme foi detectado pelo Palácio do Planalto.

Apesar das expectativas, o clima no aeroporto da capital acreana antes da chegada da presidente estava favorável a Dilma. De um lado, 120 militantes da Juventude do PT e, de outro, oito manifestantes que carregam cartazes contra a presidente aguardavam sua chegada. 

A presidente deverá visitar áreas afetadas pelas chuvas, entregar quase mil casas do Minha Casa Minha Vida e conversar com lideranças locais no aeroporto. O governo busca conversas com líderes do movimento, que poderá ser expressivo, de acordo com o Planalto, para evitar algum tipo de confronto.

Dilma foi avisada por auxiliares que, daqui para a frente, os protestos deverão ser permanentes. Além dos protestos armados para esta quarta em Rio Branco, também foram detectados movimentos contra ela na quinta-feira, no Rio de Janeiro, e na sexta-feira, em Belo Horizonte - cidades que a presidente visita nos próximos dias.

Para tentar evitar novas surpresas, a Secretaria Geral da Presidência - encarregada de entendimento com movimentos sociais e de monitorar possíveis problemas como esses em visitas presidenciais - vai intensificar as buscas por protestos organizados pelas redes sociais e por focos de insatisfação, a fim de que se possa fazer previsões mais realistas sobre eventuais manifestações.

Embora Dilma sempre reitere que protestos pacíficos são da regra democrática, ela ficou muito incomodada de ter sido submetida a vaias de expositores do Salão Internacional da Construção, nessa terça em São Paulo, fato considerado um constrangimento desnecessário. Na avaliação de um assessor muito próximo da presidente, "errou a segurança e errou a Secretaria Geral", em relação ao ocorrido na capital paulista. Ele pondera, no entanto, que houve dificuldades em se detectar esse movimento, pois, até então, os chamados das pessoas que estavam nas solenidades eram para tirar 'selfies' com a presidente.

Centrais. O governo também tentou convencer a Central Única dos Trabalhadores (CUT) a adiar as manifestações marcadas para sexta-feira, por avaliar que esses atos servem de combustível para os protestos contra a presidente, previstos para domingo. O primeiro a conversar com dirigentes da central sindical foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que jantou com Dilma, no Palácio da Alvorada, nessa terça. No encontro, os dois conversaram sobre esses protestos.

Na última segunda-feira, o apelo foi reforçado pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e também pediu à CUT que suspendesse as manifestações, ao menos por enquanto. Para o governo, os atos puxados pela CUT e por movimentos sociais, em defesa da Petrobrás e contra as medidas provisórias que restringiram os benefícios trabalhistas, podem ter efeito contrário e incentivar uma  "onda" contra Dilma. Os petistas tentam ainda evitar que as manifestações de sexta-feira se transformem em repúdio ao governo e à política econômica.

Diante do acirramento dos ânimos, o governo vai monitorar todas as manifestações até domingo, em uma espécie de "gabinete de crise". Em nota, Rossetto negou que tenha tentado cancelar os atos de rua previstos pela CUT, MST, UNE e outras entidades. A informação, porém, foi confirmada ao Estado por outros dois ministros.

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