Planalto prepara dossiê da era FHC para enfrentar CPI

Às vésperas da instalação da CPI dos Cartões, o Planalto vai distribuir aos líderes aliados um dossiê com informações detalhadas sobre os gastos com suprimentos de fundos nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. No comando da operação de guerra, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) pediu aos 37 ministérios e principais repartições da administração direta que encontrem prestações de contas antigas, personagens, relatórios de fiscalização - com o respectivo ?comprovante de saneamento? do erro, quando for constatada irregularidade -, além de estatísticas dos valores desembolsados desde 1998.A idéia é desconstruir o discurso de adversários do PSDB e do DEM de que o governo Lula teria organizado uma cadeia de comando para promover a farra dos cartões corporativos. Com a identificação dos ordenadores de despesas, por exemplo, o Planalto quer mostrar que os responsáveis pela fiscalização dos gastos não integram a lista dos afilhados políticos: muitos são funcionários de carreira e trabalharam em outros governos.No e-mail enviado aos ministérios, com um questionário de 13 perguntas, a Secom pede ajuda para localizar ?personagens, documentos, cenários e estatísticas?. Quando solicita a identificação do ?gestor?, ressalva: ?De preferência, alguém que estava na função antes da instituição do cartão.? O objetivo é rastrear a movimentação de dinheiro no governo FHC, já que o cartão corporativo foi criado somente em 2001. Antes, os gastos eram feitos apenas por intermédio da conta tipo B, com operações em cheque ou dinheiro vivo. A conta tipo B existe até hoje, mas é usada em menor escala.?Vamos fazer uma CPI, colocar tudo sobre a mesa e debater com a oposição?, diz o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. ?Os dados quantitativos indicam que nossas despesas são a metade das realizadas até 2002, mas talvez a CPI consiga até contribuir com soluções para melhorar a qualidade do gasto.?A Secom também pediu aos ministérios que enviem informações sobre o perfil médio dos ecônomos (portadores dos cartões) e dos fiscais, incluindo tempo de serviço. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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