Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Planalto prega ‘humildade’ após pesquisa

Datafolha mostrou que rejeição da administração Dilma Rousseff é só comparável à de Collor dias antes de ser alvo de impeachment

O Estado de S.Paulo, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 07h30

A nova alta na rejeição do governo Dilma Rousseff, apontada por pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, fez o Palácio do Planalto adotar a receita da “humildade” e da “paciência”. O levantamento mostra que 65% dos brasileiros rejeitam a administração da petista, índice comparável só ao obtido por Fernando Collor dias antes de ser alvo de impeachment, em setembro de 1992, quando registrou 68%. Apenas 1 em 10 eleitores consideram a gestão “ótima ou boa”.

“O governo tem de ter humildade para reconhecer que a pesquisa reflete um momento de dificuldade política e econômica”, afirmou ontem ao Estado o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva. “Estamos vivendo uma situação de dificuldade econômica, o governo tem consciência das dificuldades e está fazendo ajuste para que sejam superadas. Estamos virando a página do ajuste e entrando na agenda de retomada da economia.”

O Planalto aposta em medidas como os recentes lançamentos do Plano Safra e do Plano de Infraestrutura e também futuros, como na área energética e de banda larga, além do Minha Casa, Minha Vida 3, para ver os índices de popularidade de Dilma melhorarem. Em avaliação recente da conjuntura política, feita em reunião fechada com religiosos no Instituto Lula, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que ele e a sucessora estão “no volume morto” e o PT, “abaixo do volume morto”.

O otimismo do Planalto, no entanto, não é compartilhado entre os aliados do PT no Congresso. Para um importante líder da base, a situação “vai piorar ainda mais um pouco antes de começar a melhorar”, por que são “muitas frentes, e todas difíceis e mal articuladas”. Diante das dificuldades econômicas, do impacto da Operação Lava Jato e do risco de reprovação das contas do governo no Tribunal de Contas da União (TCU), havia quem esperasse resultado pior nos dados do Datafolha, como aprovação de apenas um dígito.

Para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a queda da popularidade da presidente é a continuidade de um processo de desgaste que chegou ao “fundo do poço”. Essa deterioração, em sua avaliação, foi provocada pela conjunção de fatores negativos, como a piora da economia e o escândalo de corrupção na Petrobrás. “E, principalmente, pelo fato de estar fazendo um ajuste que não foi falado na campanha”, afirmou. “Claro que há (chance de recuperação), mas, para isso, é preciso ter três coisas: estabilidade política, recuperação da economia e ações positivas de governo.”

Para o vice-líder do PMDB na Câmara, Danilo Forte (CE), a deterioração de Dilma na pesquisa apenas revela a insatisfação da sociedade com o governo. Segundo ele, o governo não fez o dever de casa e, por isso, tem causado frustração na população. “O governo conseguiu surfar um pouco na sua credibilidade, e no próximo semestre as manifestações vão recomeçar”, considera.

O líder do PT Câmara, Sibá Machado (AC), enfatizou que nos primeiros seis meses de governo a agenda foi focada no ajuste fiscal e em cortes no Orçamento. “Toda vez que a economia tem maus indicadores, há uma perda de popularidade”, disse. “Antes de uma crise política, há uma crise econômica e um massacre na mídia de modo geral.”

Presidente do PSDB e candidato derrotado por Dilma no segundo turno, o senador Aécio Neves (MG) agradeceu nas redes sociais “o apoio de tantos brasileiros”. Na pesquisa Datafolha, o tucano apareceu 10 pontos à frente de Lula em uma eventual disputa pelo Planalto - 35% a 25%. Para Aécio, o recorde de rejeição da presidente “mostra a consciência crescente dos brasileiros em relação às mentiras de que foram vítimas durante a campanha eleitoral do ano passado e em relação à traição do atual governo, que descumpriu promessas feitas ao País”.

Para o senador Agripino Maia (RN), presidente do DEM, “o governo está sem ação, sem suporte político e sem comando”. “Não há perspectiva de melhora.” / ALBERTO BOMBIG, ANNE WARTH, CAIO JUNQUEIRA, CÉLIA FROUFE, RICARDO CHAPOLA e VALMAR HUPSEL FILHO

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