Planalto prefere Sarney no cargo

Para o governo, permanência de Renan é inviável

João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 00h00

O Palácio do Planalto não parecia mais preocupado, ontem, com o destino do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), seu fiel aliado, e sim com o nome do sucessor. Se Renan perder o mandato ou renunciar - ao mandato ou à presidência -, o Planalto vai trabalhar com uma lista de senadores do PMDB, pela ordem de favoritismo: José Sarney (AP), Gerson Camata (ES) e Garibaldi Alves Filho (RN).Depois de revelarem que o governo torcia por Renan, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admitiam ontem que a situação do senador agravou-se muito. E que Renan estará arruinado politicamente, mesmo que receba de seus pares a absolvição. Na avaliação do governo, Renan terá poucas condições de comandar a presidência do Senado, aconteça o que acontecer. Se ficar, continuará a ser um irradiador de crises. Isso o governo não quer, porque vai atrapalhar a votação de qualquer projeto importante, principalmente da prorrogação da CPMF.Embora a maior torcida seja para que Sarney substitua Renan, no caso de vacância do cargo de presidente, o governo sabe que não terá facilidades para elegê-lo. O PSDB já anunciou que trabalhará contra Sarney. Como a situação é emergencial, não é bom eleger um presidente em clima de batalha. A segunda opção seria Camata, mas ele, embora não seja de oposição, quer permanecer independente. A terceira escolha seria Garibaldi Alves, que ontem anunciou o voto pela cassação de Renan. Garibaldi tem mágoas do governo petista, que na eleição passada apoiou Wilma Faria (PSB) ao governo do Rio Grande do Norte, derrotando-o. Mas há sinais de que ele aceitaria o convite do Planalto.A oposição trabalha por Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Os governistas já disseram que não aceitam Jarbas. Falava-se ontem até em Marco Maciel (DEM-PE), numa espécie de exercício de conciliação.

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