Planalto põe freio em 'fogo amigo' e segura Ana de Hollanda

Em reunião no MinC, Gilberto Carvalho pede ‘coesão’ da equipe e fortalece ministro

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2011 | 17h00

Para tentar estancar sua primeira crise ministerial, a presidente Dilma Rousseff enquadrou a cúpula do Ministério da Cultura para acabar com o "fogo amigo" de petistas contra a ministra Ana de Hollanda e tentar fortalecê-la no cargo. A pedido de Dilma, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reuniu-se nesta quarta-feira, 11, por duas horas com a ministra, assessores especiais da pasta e dirigentes de entidades ligadas ao ministério.

 

Carvalho pediu "coesão" em torno de Ana de Hollanda, que enfrenta uma crise política no ministério, e defendeu a "transparência" dentro da pasta.

 

Foi o primeiro movimento do Palácio do Planalto para, externamente, mostrar que a ministra está prestigiada e tentar neutralizar os ataques contra ela. "Quando bate uma crise dessa, se a equipe não se junta, gera insegurança. Pedi que haja uma coesão enérgica", disse Carvalho ao Estado após o encontro.

 

Na entrevista, ele adotou um discurso de recado aos adversários de Ana de Hollanda: "Vai quebrar a cara quem tentar desestabilizar a ministra. O governo está fechado com ela. Não há hipótese de substituição. A ministra não pode se intimidar". Para ele, a ministra é vítima de uma "orquestração sórdida" para retirá-la do cargo.

 

A reunião de emergência foi realizada em Brasília um dia depois de Ana de Hollanda deixar sob escolta policial um debate com o setor cultural na Assembleia Legislativa de São Paulo. A imagem foi considera ruim pela cúpula do governo. As cenas ocorreram no dia seguinte à decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) de pedir à ministra a devolução de diárias recebidas por dias de folga no Rio, episódio revelado pelo Estado no domingo.

 

No encontro desta quarta, Ana disse a Gilberto Carvalho que devolveu os recursos. "Isso já está resolvido. Ela não teve a intenção de burla ética", afirmou o secretário-geral da Presidência. Defendeu-se na reunião que o ministério vai encampar o discurso de que o governo está aberto ao diálogo sobre os direitos autorais - e deve enviar o novo projeto ao Congresso até junho.

 

Polêmica. As diferenças começaram depois de Ana de Hollanda ter afirmado que poderia abortar a proposta, que veio da gestão anterior. A tensão aumentou quando a ministra sinalizou apoio ao Escritório Central de Arrecadação de Direitos (Ecad).

 

Numa resposta ao Planalto, os assessores da ministra, secretários e dirigentes de entidades divulgaram nota de apoio à sua gestão. O encontro de ontem foi encarado como o pontapé inicial para estancar a crise.

 

Setores do mundo artístico, incluindo membros do próprio PT, têm atacado a postura de Ana de Hollanda em relação aos direitos autorais, à retirada do site do ministério do selo "Creative Commons", do uso de conteúdo livre na internet, além da crise na mudança de comando da Fundação Rui Barbosa, entre outras coisas.

 

Apoio em casa. Irmã da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, a cantora Miúcha saiu nesta quarta em sua defesa. "A quem interessa tirar a Ana? Quem eles querem no lugar? Muitos ficaram frustrados quando ela foi escolhida. Tem gente que adora derrubar, acha que vai atingir o Chico através disso... A internet permite que, protegidas pelo anonimato, as pessoas digam as coisas mais loucas", afirmou ela ao Estado, por telefone.

 

Miúcha contou que, assim como seu irmão Chico, tem observado à distância a turbulência que Ana vem enfrentando, por sua posição sobre Lei dos Direitos Autorais e pela cobrança de dias de folga no Rio. "Praticamente chamaram Baía (apelido de Ana na família) de ladra. Não existe tradição de ladras nessa família." / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

 

Atualizada às 23h

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