Planalto pede lista de rebeldes no Rio e oposição reage

Na tentativa de neutralizar o movimento 'Aezão', funcionário da Secretaria de Relações Institucionais pediu ao PMDB a lista dos prefeitos que participaram do lançamento dessa chapa

Ricardo Della Coletta e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

26 Junho 2014 | 22h50

Brasília - Preocupado com dissidências na aliança que sustenta a candidatura da presidente Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto e o PT começaram a fazer o “monitoramento” das ações de prefeitos do PMDB no Rio. Na tentativa de neutralizar o movimento “Aezão” – que apoia as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) à Presidência e de Luiz Fernando Pezão (PMDB) ao governo fluminense –, um funcionário da Secretaria de Relações Institucionais pediu à assessoria do PMDB a lista dos prefeitos que participaram do lançamento dessa chapa.

A atitude do servidor provocou protestos por parte do PSDB. O partido divulgou nota, na noite desta quinta, prometendo ingressar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com representação contra Dilma. Os tucanos alegam que o governo usou funcionário público e equipamentos do Planalto para fazer campanha, no horário de expediente, o que é vedado pela Lei Eleitoral.

Assessor do ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), Cássio Parrode Pires enviou e-mail à assessoria do PMDB no Rio, dia 12, solicitando o nome dos prefeitos peemedebistas que foram ao almoço em prol da chapa “Aezão”, conforme revelou na quinta o jornal O Globo. Pires disse que faz o controle de “todos os pré-candidatos ao governo federal” porque a Subchefia de Assuntos Federativos do ministério trabalha com esse tipo de informação.

Pires afirmou ainda que só enviou a mensagem, de seu e-mail pessoal, porque a assessoria do PMDB do Rio, em contato telefônico, solicitou que ele formalizasse o pedido. O movimento “Aezão” foi lançado por Jorge Picciani, presidente do PMDB do Rio. O PMDB apoia a candidatura de Dilma à reeleição, mas a seção do partido no Rio decidiu dar palanque a Aécio.

“Estou preocupado com essa história do ‘Aezão’, mas a nossa expectativa é de que a maioria do PMDB, a começar pelo governador Pezão, apoie Dilma, assim como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB)”, argumentou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, após encontro da Executiva Nacional do partido, em São Paulo.

Berzoini e Pires não quiseram comentar o assunto. Por meio de sua assessoria, o ministro disse que a Secretaria de Relações Institucionais é responsável pela “articulação política” do governo e, por isso, precisa de informações dos Estados e municípios para fazer o seu trabalho. “Enviamos o e-mail para saber quem eram (os prefeitos) e também chamá-los para almoçar. Prefeito, quando você chama para almoçar, para conversar sobre algum assunto, ele vem. Isso é do jogo”, afirmou Berzoini no dia anterior.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), apresentou ontem requerimento de convocação para que Berzoini esclareça o monitoramento de aliados dissidentes.

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