Andre Dusek/Estadão
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Planalto pede celeridade, mas oposição quer impeachment após recesso parlamentar

Ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, defende que processo de impedimento tenha um desfecho o mais breve possível no Congresso; já no Senado, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu o recesso legislativo

Erich Decat Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 17h43

BRASÍLIA - Em reunião realizada nesta quinta-feira, 3, no Palácio do Planalto com lideranças da base aliada da Câmara, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, defendeu que o processo de impeachment tenha um desfecho o mais breve possível no Congresso. Novas reuniões para tratar da estratégia do governo estão previstas ocorrer ao longo do dia.

A ideia, segundo parlamentares presentes no primeiro encontro, é de atuar com celeridade enquanto não há uma definição pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao tema.

No Senado, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu o recesso legislativo e acredita que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff será mais forte se tiver continuidade só depois das festividades de fim de ano. "Mobilizar a sociedade nessa época do ano será uma tarefa um tanto quanto difícil. Temos Natal, Ano Novo, férias escolares, janeiro já emenda com o Carnaval, é difícil", argumentou.

As declarações são em resposta à tentativa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de cancelar o recesso legislativo, que começa em 22 de dezembro. Cunha gostaria de dar sequência ao processo de impeachment que ele mesmo autorizou na tarde de ontem. Coincidentemente, acelerar o processo, também é de interesse do Planalto, que acredita que o curto intervalo de tempo pode jogar à favor da presidente. 

O senador tucano fez um paralelo com o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor e acredita que é preciso mais pressão da opinião pública para que o afastamento de Dilma Rousseff aconteça. "O impeachment do Collor nasceu na rua e veio para o Congresso Nacional. Agora o pedido nasce no Congresso e tem que ir para a rua. A sociedade precisa se manifestar mais claramente, não apenas nas pesquisas de opinião. Só vai ter impeachment se houver rua", afirmou.

Na tarde desta quinta, o deputado federal Rubens Pereira Júnior (PC do B-MA) protocolou no STF o primeiro mandado de segurança contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O recurso foi distribuído ao ministro Celso de Mello. A distribuição é feita por sorteio.

O argumento do deputado é que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deveria ter dado a oportunidade de Dilma apresentar defesa ao Congresso antes de acolher o pedido de impedimento. "Ao fazê-lo sem notificar previamente a presidente para que oferecesse resposta, (Cunha) violou os princípios do devido processo legal, de ampla defesa e do contraditório".

Segundo lideranças da base aliada da Câmara, na reunião realizada com o ministro Ricardo Berzoini também ficou o entendimento de que o governo vai monitorar e atuar diretamente na montagem da Comissão, que será responsável pelo avaliação do processo de impedimento da presidente.

No Senado, Cunha Lima acredita que o clima de impeachment ainda está interiorizado no Congresso Nacional, o que é prejudicial para que se concretiza. "Esse clima está muito voltado para o ambiente político. E se deixar nas mãos da maioria dos políticos, ele vai ser cozinhado em banho-maria e não vai levar à lugar nenhum", defendeu. Nessa perspectiva, o recesso ajudaria a superar o período de Natal e dar mais chances à oposição de mobilizar as ruas.

A opinião de Cunha Lima segue a mesma linha de Aécio Neves (PSDB-MG), que se posicionou à favor do recesso e da reaproximação dos parlamentares aos seus estados ainda na noite de ontem. O senador conversou por telefone com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também é favorável ao recesso. Por outro lado, outro tucano, José Serra (SP), prefere que o processo siga o quanto antes. 

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