Shizuo Kambayashi/AP Photo
Shizuo Kambayashi/AP Photo

Planalto nega preocupação com possível delação de Cunha

Secretaria de Imprensa diz ainda que antecipação de retorno de Temer do japão nada tem a ver com a prisão do ex-deputado

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 17h12

BRASÍLIA - Apesar de a ordem ser evitar comentários sobre a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes da chegada do presidente Michel Temer ao Brasil, o Palácio do Planalto afirmou nesta quarta-feira, 19, que a preocupação do governo com uma possível delação do peemedebista "é zero". "Não há preocupação nenhuma", explicou a Secretaria de imprensa. "O governo tem reiterado que não há nenhuma interferência na Lava Jato e que as ações são de outro poder, que é completamente independente".

A secretaria afirmou ainda que os rumores de que Temer teria antecipado seu retorno do Japão para poder "abafar a crise Cunha" não faria sentido, já que a decisão teria sido tomada há alguns dias. Segundo explicou o órgão de comunicação do Planalto, a decisão foi tomada há pelo menos dois dias, quando uma equipe de pilotos da FAB foi enviada para Seattle, nos Estados Unidos, para fazer a troca de comando da aeronave. A informação sobre o retorno, no entanto, foram repassadas para a imprensa apenas nesta quarta.

O Planalto diz ainda que Temer cumpriu a agenda prevista no Japão e decidiu apenas cancelar o pernoite em Tóquio e encurtar a parada em Seattle. A escala na cidade americana seria inicalmente de 20 horas e agora será de apenas 1h30. Na ida ao Japão, Temer também encurtou o tempo de abastecimento em Atenas. Segundo informou a assessoria, o planejamento alterado prevê algumas providências internacionais de pedido de autorização de sobrevoo, o que demonstraria que o retorno de Temer não tem relação com a prisão de Cunha.

As notícias da antecipação da viagem e da prisão de Cunha no mesmo dia, contudo, geraram uma onda de comentários nas redes sociais de que o presidente já teria sido informado, mas um interlocutor do Planalto disse que não há razões para o governo comentar "boatos de redes sociais".

Até o momento, assessores do presidente dizem que ele ainda não foi informado sobre a prisão de Cunha e que estaria dormindo na cabine do avião presidencial na companhia da esposa, Marcela.

Problemas. Uma das preocupações do governo é sobre o possível impacto da prisão do ex-deputado na agenda do Congresso. Apesar disso, interlocutores do presidente lembram que na época da cassação do peemedebista também existiu esse temor e o governo conseguiu colocar a sua agenda. "A agenda da Lava Jato é e não tem nada a ver com a agenda de tirar o País da crise", disse um interlocutor.

Fontes do Planalto que conversaram com o presidente em exercício, Rodrigo Maia, que é o presidente da Câmara, afirmaram que ele, ao comentar a prisão de Cunha, disse não acreditar que o episódio possa impactar nas votações. O governo tem como prioridade a aprovação em segundo turno da PEC 241, que limita os gastos públicos, agendada para o início da semana que vem.

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