Planalto nega contato entre Lula e cubano

Boxeador que fugiu no Pan diz na TV que presidente lhe ofereceu refúgio, mas preferiu voltar a seu país

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

02 de março de 2009 | 00h00

Auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram ontem que ele tenha falado com os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux e oferecido ajuda para que não voltassem a seu país. Eles foram deportados do Brasil após fugir da delegação cubana durante os Jogos Panamericanos do Rio, em 2007. Em entrevista ao programa ?Esporte Espetacular?, exibida ontem pela TV Globo, Lara afirmou ter tido contato direto com Lula quando estava no País, versão qualificada como "fantasiosa" pelo Palácio do Planalto. O boxeador ressaltou ter retornado a seu País por vontade própria - nesse caso, a versão coincide com o que o governo vem afirmando desde 2007. "Ele (Lula) perguntou se eu queria ficar no Brasil e eu disse que não. Disse que queria voltar a Cuba", contou o atleta. O Planalto respondeu que, na época, a questão foi tratada pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal, sem envolvimento do presidente.Em reportagem publicada pelo Estado ontem, o pugilista contou ainda que seu desinteresse em permanecer no Brasil estava relacionado à suposta impossibilidade de viajar depois para a Alemanha, seu verdadeiro objetivo após a fuga do Pan.O país europeu é sede da empresa Arena Box, a qual Cuba acusa de ter "roubado" pelo menos cinco de seus atletas. Representantes da Arena Box já haviam contratado os pugilistas e, segundo Lara, tentavam levá-los embora do País.O atleta também falou à TV Globo sobre o assunto. "Eu tinha um contrato assinado na França com eles, que foram nos buscar nos Jogos Panamericanos. Decidimos fugir, mas as coisas não saíram certo", explicou. "Eles foram para a Alemanha e nos deixaram sozinhos. Não ficou ninguém e nós voltamos para Cuba."Lara relatou ainda que decidiu voltar para casa porque "as coisas deram errado" na tentativa de fuga. "Nós quisemos voltar. Não foi pelo governo brasileiro, nem por ninguém, já que as coisas deram errado então. Sabíamos que não íamos mais poder lutar lá (em Cuba). Tomamos uma decisão e quisemos voltar."Segundo o Estatuto dos Refugiados, os cubanos teriam direito, caso obtivessem o refúgio, de viajar à Europa. De acordo com a lei, bastaria uma autorização do governo federal.Em resposta às declarações do pugilista, o Ministério da Justiça disse que não tem registro oficial do pedido para seguir para a Alemanha. Contrariado com o viés "ideológico" do caso, o ministro Tarso Genro declarou que o refúgio foi oferecido e recusado em duas ocasiões. Tarso também ressalta que outros atletas cubanos que solicitaram refúgio durante o Pan foram acolhidos pelo governo brasileiro.Após o retorno a Cuba, os pugilistas fugiram novamente. Com lanchas, chegaram ao México, de onde embarcaram para a Alemanha. De lá, viajaram para Miami, onde vivem hoje. Lara tem passaporte alemão e treina para dar continuidade à carreira profissional.

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