Planalto monta operação para salvar Mares Guia

Estratégia inclui declarações de dirigentes do PT a favor do ministro

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2007 | 00h00

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ontem de Nova York para o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia - citado no relatório da Polícia Federal que trata do mensalão mineiro - e pediu a ele que mantivesse a tranqüilidade. "Toca para a frente e faça seu trabalho", recomendou. Por ordem de Lula, o governo começou ontem mesmo a montar uma operação para salvar Mares Guia. A estratégia para os próximos dias inclui até declarações públicas de dirigentes do PT - que reúne hoje sua Executiva Nacional - a favor do articulador político do Planalto. O fim do fogo amigo foi exigido por Lula para estancar a crise e evitar que o caso do mensalão mineiro - suposto esquema de caixa 2, a partir de desvio de dinheiro público, para a campanha de 1998 do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador - atrapalhe a votação de projetos de seu interesse. A prioridade, agora, é a emenda que estica a validade da CPMF até 2011.Até ontem, petistas que nunca se conformaram com a perda de espaço no segundo governo Lula comemoravam o inferno astral de Mares Guia, de olho em sua cadeira. O 3º Congresso do PT chegou a aprovar, há 23 dias, resolução na qual pede mais "agilidade" da Procuradoria-Geral da República na apuração das denúncias de caixa 2 e desvio de dinheiro público na campanha à reeleição de Azeredo. A PF suspeita que Mares Guia tenha sido um dos mentores do mensalão mineiro. Ele nega.Auxiliares de Lula diziam ontem que nem o presidente nem o ministro imaginavam que esse caso pudesse respingar no Planalto. A orientação do governo, agora, é para que Mares Guia dê mais publicidade à sua defesa. "Se eu tivesse meio por cento de dúvida sobre a lisura das minhas contas, entregaria o cargo", disse ele ao presidente, antes da viagem a Nova York.A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra do sigilo bancário e fiscal da empresa Samos, holding que administra os bens do ministro. Na semana passada, Mares Guia telefonou para o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Dizendo-se "indignado", solicitou que a Receita fizesse uma auditoria fiscal na empresa.Na prática, o destino do ministro está agora nas mãos do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que vai decidir se apresenta ou não denúncia contra ele. Processado pelo STF por corrupção ativa e formação de quadrilha no escândalo do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu saiu ontem em defesa de Mares Guia. "O chamado valerioduto mineiro nada mais é do que mais um caso de caixa 2, mas aqui a mídia não procura chefes nem quadrilhas, mas sim quem do governo Lula ou do PT teria participado do esquema", escreveu em seu site.

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