Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Planalto monta 'gabinete de crise' para acompanhar atos

À noite, haverá reunião da presidente Dilma Rousseff com seus auxiliares, que servirá de termômetro para os próximos passos

Vera Rosa e Tânia Monteiro/Brasília, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2015 | 20h31

O governo montou uma espécie de "gabinete de crise" para acompanhar as manifestações deste domingo . No Planalto, os últimos dias foram batizados de "semana do fim do mundo". Da CPI da Petrobrás às vaias dirigidas a Dilma Rousseff, em São Paulo, tudo parece conspirar contra a presidente. 

Pesquisas internas mostram uma deterioração maior da imagem de Dilma. Sua popularidade está em queda livre e, com apenas dois meses e meio de segundo mandato, ela perde apoio em todas as camadas da população, e não só na classe média. 

O receio do governo, nas manifestações, é com o quebra-quebra, o vandalismo e o aumento do tom contra Dilma.


Auxiliares da presidente admitem que o cenário político atual é "muito pior" do que o de junho de 2013, quando ocorreram vários protestos pelo País. O diagnóstico reservado é um só: diante de uma rebelião na base aliada do governo e do mau humor dos eleitores, qualquer fagulha pode se espalhar como fogo no canavial.

Levantamentos em poder do governo indicam que a população não aguenta mais tanta denúncia de corrupção, lamenta a perda de prestígio da Petrobrás, reclama da inflação e associa a classe política à roubalheira. 

PRONTIDÃO

Surpreendida com o "panelaço" do último domingo, quando fazia um pronunciamento no rádio e na TV – no qual pediu "paciência" com a crise –, Dilma convocou os ministros que compõem a coordenação do governo para ficarem de prontidão, neste domingo, em Brasília. À noite haverá uma reunião da presidente com os auxiliares, no Palácio da Alvorada, que servirá de termômetro para os próximos passos. 

A manifestação de sexta-feira, puxada por CUT, MST, UNE e movimentos sociais, foi vista no Planalto com alívio. "Foi um movimento pacífico, mesmo em São Paulo", observou Miguel Rossetto, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Os motes daqueles atos eram a defesa da Petrobrás, dos direitos trabalhistas e da reforma política. 

A expectativa é que o maior foco do protesto também esteja em São Paulo, Estado governado pelo PSDB e reduto anti-PT. 

Em jantar com Dilma no Alvorada, terça-feira passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou a sucessora a lançar o mais rápido possível uma "agenda do crescimento", para se contrapor às medidas amargas do ajuste fiscal. "Até hoje nós não sabemos o que aconteceu em junho de 2013. E se todo o protesto contra tudo o que está aí vier agora com mais força?", disse Lula a Dilma. 

Para o ex-presidente, Dilma errou ao fazer um pronunciamento muito longo, no Dia da Mulher, sem indicar claramente onde o governo quer chegar com o sacrifício imposto à população. Lula acredita que, se o governo não vender esperança nem criar um ambiente de estímulo aos investimentos, o pessimismo vai continuar. No diagnóstico de Lula, a CPI da Petrobrás, mesmo esvaziada, tem potencial para criar fatos políticos e prejudicar ainda mais o PT e o Planalto. 

REFLEXÃO

O PT também pretende promover reuniões com os dirigentes para decidir os próximos passos, segundo o presidente nacional da legenda, Rui Falcão. "O Brasil muda, o PT muda com o Brasil", afirmou, ao chegar ontem a evento do diretório gaúcho, em Porto Alegre. "No final do mês eu pretendo chamar todos os presidentes estaduais para uma reflexão sobre a conjuntura."

De acordo com Falcão, Lula vai ajudar nas discussões sobre os rumos do PT. "Ele é a maior liderança que o País já produziu." /COLABOROU GABRIELA LARA

Tudo o que sabemos sobre:
PlanaltomanifestaçõesDilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.