Planalto mapeia apoios na comissão do impeachment

Ministros serão orientados a mobilizar os deputados de seus partidos; oposição aposta na pressão das ruas

Daniel Carvalho / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2016 | 03h01

Com a instalação da comissão do impeachment na Câmara, governo e oposição põem em campo a partir de amanhã suas estratégias para conquistar apoio tanto no colegiado que elaborará o relatório como no plenário, onde são necessários 342 votos para autorizar o processo e levar o caso para julgamento no Senado.

A estratégia governista envolve a tropa de choque do Palácio do Planalto, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já os oposicionistas terão parceria de movimentos contrários ao governo Dilma. O governo calcula ter 34 dos 65 votos da comissão que elaborará o parecer. Um líder governista acredita que os deputados que se dizem indecisos querem, na verdade, sinalizar que querem ter suas demandas atendidas pelo Planalto.

De acordo com um interlocutor do governo, além de Lula, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner, atual chefe de gabinete de Dilma, e Giles Azevedo, assessor especial da Presidência, conversarão individualmente com os demais ministros, para que mobilizem seus partidos. Líderes partidários também serão procurados. A ideia do governo é formar uma equipe de parlamentares de confiança para, nos próximos dias, abordar seus pares e detectar insatisfações para garantir a maioria em plenário, onde o texto pode ser votado ainda na primeira quinzena de abril.

Já as contas da oposição indicam 33 ou 34 votos favoráveis ao impeachment e 11 indecisos. Eles apostam na divulgação de novos fatos e na pressão das ruas para atrair os que se dizem indefinidos e chegar à votação do parecer com 40 votos. “As estratégias estão sendo discutidas com os movimentos e com lideranças da oposição, chamando a atenção para pressionar democraticamente os indecisos”, afirmou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

Na comissão, o foco deverá ser na apresentação de requerimentos. Já foram apresentados 32, que pedem o convite de autoridades como os próprios Dilma e Lula. Alguns líderes oposicionistas admitem que é nula a chance de trazê-los, mas o objetivo é gerar constrangimento e garantir o funcionamento da comissão, o que, para eles, manterá aquecido o clima nas ruas.

Os planos da oposição também vão além da comissão. Um levantamento de quem são os deputados contra o impeachment está em curso. “Vamos divulgar, botar o placar em outdoor, fazer material com o nome do deputado”, explica o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP). Um peemedebista da ala oposicionista defende que a campanha deve ser concentrada nos deputados que disputarão eleições em outubro.

O trabalho de persuasão passa também pela discussão de um eventual governo do atual vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que assumirá caso Dilma seja impedida pelo Congresso.

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