Planalto já esperava por desistência da compra da Delta

O Palácio do Planalto não foi pego de surpresa com a decisão do grupo J&F de desistir da compra da Delta Construções, pivô do escândalo da CPI do Cachoeira. Desde que a comissão instalada no Congresso aprovou a quebra de sigilo da Delta, o governo já sabia que era uma questão de tempo para que o negócio naufragasse.

RAFAEL MORAES MOURA, COLABOROU EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

01 Junho 2012 | 20h28

Semanas atrás, o governo divulgou nota dizendo que eram "falsas" as alegações de que a operação tinha aval do Executivo - nesta sexta, não houve pronunciamento oficial. Apesar de o Planalto buscar um distanciamento do episódio, a Delta é responsável por contratos milionários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais plataformas políticas da presidente Dilma Rousseff.

Caso seja declarada inidônea, a Delta não poderá participar de novas licitações, mas os contratos já firmados não são rompidos automaticamente, dependendo da avaliação de cada obra em andamento. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no mês passado, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, disse que "pode ser muito mais recomendável para o interesse público (a Delta) continuar (a obra) até concluir, mas isso é uma avaliação caso a caso".

Conforme informou o jornal em maio passado, a Delta pode perder R$ 1,2 bilhão a receber de contratos em andamento. O valor equivale a parcela não paga de obras federais programadas para sair do papel até dezembro de 2015.

Em Mauriti, no Ceará, o escândalo abalou um dos principais canteiros de obra da transposição do Rio São Francisco. A construtora demitiu 80% dos seus mil operários no município, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com empresas agregadas.

Questionada pela reportagem sobre o processo de declaração de inidoneidade da empresa, a CGU disse que não "presta informações sobre as providências e procedimentos de processos em andamento", mas manteve a previsão de concluí-lo no final deste mês. O Ministério do Planejamento e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informaram que aguardam a resposta da CGU.

Segundo a CGU, a desistência de compra da Delta não interfere "em absolutamente nada" no processo. A pedido do presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a controladoria indicou dois técnicos para auxiliar nos trabalhos da comissão.

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