Planalto gasta R$ 15 mi com publicidade de obra no papel

Oposição decide ir ao Conar, alegando que propaganda oficial é enganosa

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

O governo disponibilizou R$ 15 milhões para a campanha publicitária do programa Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de 1 milhão de casas populares. As peças publicitárias, que serão veiculadas até o dia 30 na televisão, no rádio, na imprensa e na internet, estão sendo questionadas pelo PSDB. O partido entrou com representação contra a campanha no Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar).Os tucanos dizem que a campanha "sugere" que o governo já está construindo as casas. Já técnicos do governo dizem que sem publicidade as famílias de baixa renda não tomarão conhecimento do programa de habitação. O dinheiro gasto na campanha está previsto no Orçamento de 2009 da Secretaria de Comunicação (Secom), órgão encarregado de fazer a publicidade da Presidência.Técnicos do governo ressaltam que a campanha publicitária pode ser divulgada porque o programa habitacional já foi lançado oficialmente pelo governo. Eles ressaltam que as medidas provisórias enviadas pelo governo ao Congresso para permitir a regularização fundiária, necessária para a construção de casas, têm poder de lei e estão em tramitação no Congresso. Eles dizem ainda que as peças publicitárias não promovem o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como argumenta o PSDB, e afirmam que o narrador deixa claro que o programa é uma parceria entre o governo federal, os Estados, os municípios e a sociedade. A campanha foi planejada e executada pela agência 141, uma das empresas que fazem a publicidade da Presidência.Ao encaminhar a ação ao Conar, o deputado Wanderlei Macris (PSDB-SP) disse que o governo faz propaganda "enganosa e desonesta". Ele pede que o Conar determine o cancelamento da campanha. Em encontro com o diretor executivo do Conar, Edney Narchi, o tucano argumentou, segundo informações do serviço Análise Política da Agência Estado, que o governo poderia ter realizado uma campanha de lançamento do programa e não peças publicitárias em que se subentende que as casas prometidas já estão prontas. Além disso, sustenta o deputado, a viabilidade do programa depende de acordos do governo federal com os Estados e os municípios - que terão de comprar os terrenos e dotar de infraestrutura as áreas dos novos centros habitacionais para a população de baixa renda.

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