Planalto firma pacto pela CPMF e Renan irá renunciar

Com a participação de Lula, Renan aceita abrir mão da presidência do Senado para preservar o mandato

Rui Nogueira e Christiane Samarco,

16 de novembro de 2007 | 23h23

Com a participação ativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto fechou na quarta-feira um acordo para criar o que considera ser o clima político ideal para salvar o mandato do aliado e ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e, ao mesmo tempo, aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Pelo acordo, Renan considera "fato consumado" a renúncia à presidência do Senado, o PMDB dá o maior número possível de votos para salvar o mandato do ex-presidente do Senado e ajudar na prorrogação da CPMF, e a bancada do PT, com 12 senadores, aproveita que o voto é secreto para também descarregar a maioria dos votos a favor de Renan.   O acordo foi fechado em uma reunião realizada no fim da tarde de quarta-feira, no Planalto - precedida de várias reuniões do próprio Renan com o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), que tem sido o elo principal da negociação com Lula e assessores presidenciais. Participaram diretamente das articulações, além de Viana e do próprio Lula, o ministro Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).   Além do interesse do Planalto em sua absolvição, por causa da CPMF, Renan tem a expectativa de obter o voto da maioria dos senadores por avaliar que a acusação de ter saciedade fantasma com o usineiro João Lyra em duas emissoras de rádio e um jornal de Alagoas também é uma ameaça a outros colegas - muitos são donos de veículos de comunicação em associações com prepostos, laranjas e afins.   Na avaliação do Planalto e de Renan, "já está de bom tamanho o nível de solidariedade" para a absolvição do ex-presidente do Senado. Na outra ponta da negociação política, porém, o governo demonstra empenho especial na salvação do senador alagoano porque "o nível de solidariedade em cima da CPMF não é bom". Um assessor de Lula definiu assim a situação para a votação da contribuição: "Não podemos arriscar nada, mas nada mesmo."   Repeteco A idéia é "replicar" no plenário do Senado, nesta segunda votação de pedido de cassação de Renan, o procedimento adotado no plenário da Câmara em 2005, quando foi montada uma verdadeira linha de montagem de absolvições dos deputados mensaleiros e tudo se resumiu à cassação do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT) e de Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). O novo pedido de cassação de Renan foi aprovado no Conselho de Ética por 11 votos a 3, na quarta-feira, depois da leitura do relatório do senador Jefferson Péres (PDT-AM). Péres viu indícios claros de quebra de decoro parlamentar na sociedade de Renan com Lyra. Duas semanas atrás, Renan votou contra o fechamento de questão em favor da CPMF na reunião da bancada do PMDB, para dar respaldo ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) e tentar seu apoio no plenário. Ele pediu abertamente a Lula que interfira em seu favor e não deixe a bancada do PT "solta". A maioria dos petistas tende a salvar Renan, mas exige garantia de que ele não volte mesmo à presidência. Para Lula, a senha foi dada pelo próprio Tião Viana. Segundo o senador, Renan mandou dizer que esse assunto era "fato consumado".

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