Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Planalto faz análise de risco mas não investiga pessoas, diz Braga Netto

Rumores de monitoramento surgiram no fogo cruzado entre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e presidente Jair Bolsonaro

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 16h11

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, afirmou que não há investigações no âmbito do Palácio do Planalto em relação ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Os rumores de monitoramento surgiram no fogo cruzado entre o titular da pasta e o presidente Jair Bolsonaro. “Não existe nenhuma investigação sobre ninguém nem dossiês”, disse Braga Netto.

Em entrevista ao Estado, o ministro ressaltou que contratos e ações de ministérios não são analisados pelo grupo montado pelo governo para acompanhar os impactos da pandemia. Em 24 de março, o governo federal criou um Centro de Coordenação de Operações, comandado por Braga Netto, para monitorar o coronavírus no País.

Mais tarde, diante da necessidade de ampliar a análise da situação, foi montada essa célula de inteligência, dentro desse centro, para que se fizessem previsões de risco mais seguras. A célula é formada por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e do Ministério da Justiça.

Braga Netto esclareceu que esse grupo faz análises de risco e prospecções para auxiliar o governo no enfrentamento ao novo coronavírus. “Não é nada pessoal. É uma análise de inteligência. Faz cenários e análise de risco”, disse. “Os analistas fazem cenários das cidades e análise de riscos de setores, como o dos caminhoneiros, por exemplo”, explicou o ministro. “Não existe nenhuma investigação sobre ninguém, não existe dossiê nenhum.”

O ministro Braga Netto informou que o governo já tinha programado uma visita da imprensa para conhecer o núcleo de operações que funciona ao lado da Sala Suprema, no segundo andar do Planalto. De acordo com o general, o objetivo é mostrar como o governo trabalha para minimizar os danos da pandemia.

Conforme o Estado apurou, o núcleo foi formado diante da preocupação com a demora de envio de dados por parte de ministérios e outros órgãos sobre situações em setores e cidades. O grupo sistematiza questões de infraestrutura e avalia o funcionamento de segmentos da economia, como a área de abastecimento. Os estudos são para se tentar prever, com essas análises, os riscos que poderão ser enfrentados em curto, médio e longo prazos.

A partir das informações, os agentes de inteligência fazem relatórios com visualizações de ações que podem ser adotadas para evitar colapsos. Essa célula de inteligência alimenta o Planalto de informações operacionais e preventivas.

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