Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Planalto expõe painel de 10 metros batizado com o slogan da campanha de Bolsonaro

Presidente diz que se trata de uma ‘obra de arte’; quadro é de artista plástico alemão que vive no Brasil

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2021 | 19h16

BRASÍLIA – Intitulado “O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, o quadro do artista plástico Heinz Friedrich Budweg ganhou lugar de destaque no Palácio do Planalto. O painel tem 10 metros de largura por 2,5 metros de altura e foi instalado no saguão principal do Palácio do Planalto, onde já figuraram obras de renomados pintores brasileiros.

Para dar visibilidade ao painel, doado por Budweg – um alemão que há muitos anos vive no Brasil ­–, o Planalto trocou de lugar a exposição das roupas utilizadas por Bolsonaro e pela primeira-dama Michelle no dia da posse, em 1º de janeiro de 2019. As peças continuam no mesmo saguão, mas à esquerda. Também saiu dali o Rolls Royce Silver Wraith da Presidência, que ficava exposto em frente à parede agora dominada pelo quadro.

“Nós vamos deixar num local aberto ao público até para mostrar que isso, sim, é uma arte de verdade. Isso é obra de arte, pessoal! Tá ok?”, disse Bolsonaro, ao lado de Heinz e de Edna, mulher do artista plástico, ao receber a tela.

O presente foi dado por Heinz no último dia 11, véspera do embarque de Bolsonaro para Dubai. Na ocasião, o presidente publicou um vídeo nas redes sociais para mostrar a obra.

O novo painel do Planalto traz uma série de referências à história do Brasil. Destaca, por exemplo, bandeirantes paulistas, indígenas, soldados e construções como a Catedral de Brasília e o Teatro Amazonas.

A exposição ocorre na esteira de críticas de acadêmicos por homenagens prestadas a bandeirantes, responsáveis por mortes de comunidades tradicionais no período colonial.

Esta não é a primeira “intervenção” do governo Bolsonaro na cena artística do Planalto. Em dezembro de 2019, o presidente mandou retirar do Salão Nobre o óleo sobre tela Orixás, de Djanira da Motta e Silva, um quadro dos anos 60 com divindades cultuadas por religiões de matriz africana.

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