Planalto espera que Renan renove a licença e se acalme

Senador ameaça retornar ao comando do Senado, o que criaria um clima político tenso para votação da CPMF

Rui Nogueira e Cida Fontes, do Estadão,

20 de novembro de 2007 | 20h30

Apesar da ameaça do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de criar um clima de tensão com a possibilidade de reassumir o comando da Casa, o Planalto e as lideranças da base aliada chegaram ao final do dia desta terça-feira, 20, com esta conclusão: para o governo e para o senador só resta cumprir o prazo imposto pela oposição para votar o pedido de cassação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acalmar politicamente o plenário, e esperar que Renan renove a licença da presidência, que vence dia 26, por mais 45 dias.   Parte dessa avaliação foi feita na manhã desta terça, em uma reunião no Planalto, que juntou o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e a líder da bancada de senadores petistas, Ideli Salvatti (SC). "Que a oposição tenha o prazo que ela quiser, contanto que nós aprovemos a absolvição de Renan e a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)", resumiu ao Estado um senador aliado de Renan.   Veja também:    Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Entenda a cobrança do imposto do cheque   Lula veta PAC eleitoral, mas PSDB mantém obstrução no Senado   Renan ameaça voltar à presidência do Senado  Oposição usa Renan como trunfo para retardar CPMF CPMF e caso Renan serão votados em dezembro, diz Tião Viana Exaltados, senadores discutem veto de Lula ao PAC eleitoral   Renan é acusado de usar "laranjas" na compra de duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. Assim que passar na comissão, o pedido vai a plenário. A previsão do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT), é de que o julgamento do senador, em sessão aberta, aconteça entre os dias 4 e 5 de dezembro. A votação na CCJ foi adiada a pedido do relator do caso, senador Arthur Virgílio (PSDB).   Diante da recusa da oposição a apressar o processo, Renan ameaçou nesta terça o Planalto com a idéia de reassumir a presidência do Senado na próxima segunda-feira, criando um clima político tenso e que não permitiria a votação da CPMF.   Como a base aliada não conseguiu destravar a pauta nesta terça, a CPMF atrasou mais um dia. A oposição está em obstrução, e o governo não conseguiu juntar número suficiente de senadores aliados para votar as três Medidas Provisórias que trancam a pauta e começar a contar o prazo de cinco sessões para a discussão e votação da emenda da CPMF. "Votando o segundo turno da CPMF até 31 de dezembro está bom demais para o governo", disse o líder Romero Jucá. Pelas contas dele, o governo tem 51 votos para aprovar a prorrogação do tributo.   Na prática, essa conta é politicamente perigosa para o governo e aponta para a possibilidade de derrota. A aprovação de uma emenda constitucional exige 49 votos (três quintos do plenário) a favor - o governo teria, portanto, pelas contas de Jucá, margem de apenas dois votos favoráveis.   Sucessão de Renan   A despeito da ameaça do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de reassumir o posto na semana que vem, a corrida sucessória pelo comando do Congresso avança dentro e fora do PMDB. A avaliação na cúpula do partido é de que a disputa já afunilou entre dois candidatos: os senadores Garibaldi Alves (RN), que está em campanha aberta no Senado e no Planalto, e Edison Lobão (MA), que atua com discrição e nem sequer assume a candidatura.   Atento aos movimentos da bancada de senadores do PMDB, onde outros nomes como Leomar Quintanilha (TO) também se insinuam candidatos, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), adverte: "No caso da sucessão do Senado, não haverá nunca consenso máximo. A necessidade de um entendimento se mantém, mas o consenso em torno do melhor nome será sempre mínimo".   De fato, nem Garibaldi, que transita bem na oposição, nem Lobão, que tem a preferência do grupo de Renan e do senador José Sarney (PMDB-AP), encarnam o perfil de sucessor natural.   Também cotado para assumir o comando do ministério de Minas e Energia, devolvendo ao grupo Sarney o espaço de poder perdido desde a demissão do ex-ministro Silas Rondeau, Lobão também deixou bons amigos no partido Democratas. Mas é cristão novo no PMDB e pesa contra ele a ameaça do DEM de lhe tomar a vaga de senador por infidelidade, já que ele trocou de partido em outubro.   Habilidoso, o ex-governador do Maranhão tem a seu favor a simpatia do PT e a experiência de presidir o Senado em outro momento de grave crise política. Foi ele quem substituiu Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou à presidência do Congresso em meio à guerra aberta com o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA). Além disso, circula com desenvoltura no Planalto, que sempre pôde contar com seu voto em momentos difíceis, embora Lobão estivesse filiado a um partido de oposição.   Garibaldi também é apontado como forte opção, mas sua postura política em relação ao governo Lula é diversa de Lobão. Depois de atuar no grupo dos rebeldes do PMDB, que impôs dura derrota ao governo quando derrubou a medida provisória que criava a Secretaria de Ações de Longo Prazo com status e ministério e outros 600 cargos, Garibaldi conta hoje com empenho do primo e líder da bancada da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), em derrubar qualquer resistência do Planalto à candidatura do potiguar.   (Com Christiane Samarco, do Estadão)  

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