REUTERS/Ueslei Marcelino
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Planalto espera ‘efeito Orloff’ contra denúncia

PMDB entra na linha de frente na Câmara para evitar abertura de ação penal no STF envolvendo o presidente Temer

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Os aliados do presidente Michel Temer decidiram reforçar a “operação caça-votos” para barrar na Câmara a denúncia que provavelmente será apresentada contra ele pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Depois do feriado de Corpus Christi, deputados do PMDB estarão na linha de frente da articulação para segurar Temer, que contará, ainda, com distribuição de cargos e emendas parlamentares.

Nem mesmo as festas de São João, que prometem provocar um “recesso branco” no Congresso e esvaziar gabinetes, na próxima semana, têm sido vistas como obstáculo para as articulações políticas. A ideia da tropa de choque de Temer é bater na tecla do “efeito Orloff” – propaganda que ficou conhecida pelo slogan “eu sou você amanhã” – para enfrentar Janot.

Idealizada pelo Planalto, a estratégia consiste em mostrar que a Lava Jato atinge todos, indistintamente, e não haveria ganhos em fortalecer o procurador-geral. “Não podemos ficar inertes, aguardando essa eventual denúncia sem fazer nada”, afirmou o deputado Carlos Marun (MS), vice-líder do PMDB na Câmara, que conversou nesta quarta-feira, 14, com Temer. “Temos a convicção de que o pior já passou nessa crise. Eu disse ao presidente: ‘Pode contar com o PMDB nesse processo de busca diária de votos’.”

Embora a avaliação de Marun seja considerada muito otimista, o atual ambiente no Congresso demonstra, até agora, que Temer tem condições de sobreviver. O diagnóstico é compartilhado por uma parte da oposição. “O governo termina a semana no seu novo ‘normal’: estado de crise permanente”, disse o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). “No Congresso, porém, aumenta a sensação de que Temer pode ir até 2018, mais pelo impasse em relação à saída do que pelo fôlego conquistado.”

Pelas contas de Marun, a base aliada tem, hoje, cerca de 300 votos na Câmara para derrubar qualquer denúncia contra o presidente. Se Temer obtiver apoio de 172 deputados, o Supremo Tribunal Federal fica impedido de abrir ação penal para investigá-lo. “Aqui chegando essa denúncia, vamos resolver a questão em dez dias”, disse Marun.

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