Planalto diz que vai fornecer dados sobre mortos na ditadura para o Uruguai

Governo brasileiro afirma esperar a formalização de pedido de informações sobre uruguaios

Rafael Moraes Moura, Roldão Arruda e Ariel Palacios, de O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 22h52

O Palácio do Planalto está disposto a colaborar com as autoridades uruguaias no sentido de oferecer informações sobre cidadãos daquele país mortos e desaparecidos no Brasil durante a ditadura. Conforme o Estado informou na terça-feira, 28, o governo do Uruguai prepara solicitação sobre arquivos desse período.

 

Para o governo, o pedido uruguaio está em sintonia com outras ações implantadas por aqui, como a instalação da Comissão da Verdade e a aprovação da Lei de Acesso à Informação.

 

A questão, agora, é aguardar a formalização do governo de José Mujica para saber quais documentos serão pedidos - se do Itamaraty, do Ministério da Defesa ou de outros órgãos. Procurada, a embaixada do Uruguai no Brasil não se manifestou.

 

De acordo com o ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, existem informações de uruguaios desaparecidos ou mortos no Sul do Brasil, após compartilhamento de informações pelos regimes militares dos dois países.

 

O diretor do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, de Porto Alegre, no entanto, não acredita na possibilidade de um acordo entre o Brasil e o Uruguai funcionar de maneira eficiente. "Como é que o governo brasileiro pode colaborar se não abre seus arquivos sobre o período da ditadura militar?" O movimento dirigido por Krischke se dedica ao trabalho de investigar e esclarecer casos de mortes e desaparecimentos por razões políticas na região do Cone Sul, onde funcionou nos anos 70 a Operação Condor, um acordo político firmado entre os governos para perseguir os dissidentes políticos.

 

Casos. A uruguaia Lilian Celiberti, detida pela ditadura militar brasileira em 1978, em Porto Alegre, declarou na terça-feira ao Estado que é "altamente positivo" o pedido que o governo uruguaio fará ao Brasil. "É muito interessante a abertura dos arquivos das ditaduras militares no Cone Sul. E, especialmente no Brasil, onde está ocorrendo uma nova etapa nas investigações dos crimes da ditadura."

 

Até o momento são conhecidos oficialmente dois casos de uruguaios detidos no Brasil, o de Lilian e o de Universindo Rodríguez. Dados da organização Familiares de Desaparecidos e Detidos do Uruguai indicam que existe um único caso denunciado de desaparecimento de uma cidadã uruguaia no Brasil durante a ditadura, o de Alejandra Colev. No entanto, anos atrás, a Comissão para a Paz considerou descartada a denúncia sobre Colev, que embora fosse cidadã uruguaia, havia nascido no Estado de São Paulo.

 

Segundo levantamentos, existem 140 casos de pessoas detidas e desaparecidas uruguaias fora daquele país. A maior parte dos desaparecidos uruguaios no exterior foi na Argentina. Há casos também no Chile, país então governado pelo ditador Augusto Pinochet. Paraguai e Bolívia.

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