Planalto diz que só quis estimular investimentos

Prefeito de Campinas foi flagrado em grampo promovendo lobby com marqueteiro de Dilma

Fausto Macedo e Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 23h45

O Palácio do Planalto confirmou encontro da presidente Dilma Rousseff (PT) com a Huawei. "A audiência da presidenta Dilma Rousseff com representantes da Huawei, durante sua viagem à China em abril, foi motivada pela relevância da companhia no setor de tecnologia e pelo interesse de ampliação dos seus investimentos no Brasil", destacou a Secretaria de Imprensa.

 

Segundo a secretaria "a solicitação da audiência foi feita pela empresa por intermédio da Prefeitura de Campinas, onde a Hauwei tem planta industrial e tinha à época planos de ampliação de suas atividades".

 

"A solicitação foi avalizada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que recomendaram a inclusão da audiência na agenda", diz a assessoria. "Os planos se confirmaram durante o encontro na China, quando foi anunciada a intenção de investir adicionalmente US$ 300 milhões no Brasil."

 

O Planalto não se manifestou acerca de gestões do publicitário João Santana com a Presidência. Procurado, Santana não respondeu às ligações do Estado.

 

A Huawei do Brasil informou que é a maior arrecadadora de ISS de Campinas e "mantém relações cordiais com a prefeitura". "Em função da visita à China e com objetivo de anunciar o incremento de investimentos na região, a empresa enviou um pedido formal para a Prefeitura de Campinas mostrando interesse na visita programada."

 

Por intermédio da assessoria de imprensa, a Huawei anotou que "enquanto o governo organizava a agenda da presidenta, a Huawei do Brasil enviou um pedido para uma reunião". "Por conta dos planos de investimento da Huawei no Brasil, a empresa também havia sugerido a presença da presidenta Dilma na assinatura formal do anúncio de investimentos."

 

O advogado Eduardo Carnelós, que defende Dr. Hélio, foi taxativo. "Me causa surpresa o grampo porque o Ministério Público assegurou que não investigou o prefeito. Ainda que a interceptação tivesse sido obtida de forma legal, sua divulgação é crime."

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