Planalto desconhece carta da ONU contra censura

Relator para liberdade de expressão teria enviado carta pedindo esclarecimentos sobre mordaça ao 'Estado'

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

14 de dezembro de 2009 | 20h14

Mesmo cobrado, o Palácio do Planalto manteve o silêncio sobre a censura imposta ao Estado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Nesta segunda-feira, 14, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis comentar a carta do relator da ONU para a defesa da liberdade de expressão, Frank La Rue pedindo explicações sobre a mordaça no jornal. O Estado está impedido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que indiciou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

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Ao deixar nesta tarde o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência, o assessor Marco Aurélio Garcia disse que não estava sabendo da carta de La Rue e não podia comentar "um assunto que não é do Executivo". "Trata-se de um tema do Judiciário", limitou-se a dizer.

 

Procurado pelo Estado para comentar a carta do relator da ONU, o ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, não retornou ao telefonema. Desde que a censura foi imposta ao jornal, no dia 31 de julho último, o presidente Lula e sua equipe não fizeram comentários sobre a mordaça no jornal.

 

Em outubro, o gabinete de Lula já tinha recebido cartas da Associação Mundial de Jornais (WAN) e do Fórum Mundial de Editores (WEF) pedindo ao presidente para fazer o que estivesse ao seu "alcance" para garantir a liberdade de expressão. Assessores do governo apenas disseram que Lula não se manifestaria numa questão que era apenas do Judiciário.

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