Planalto dá sinais de que pode abandonar Orlando; PCdoB resiste

Presidente do partido foi alertado por secretário-geral da Presidência; governo queria mudança em cúpula da pasta

Vera Rosa e Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 22h40

O inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar denúncias de fraudes e desvios de recursos em convênios no Ministério do Esporte agravou a situação do titular da pasta, Orlando Silva. Em conversas reservadas com dirigentes do PC do B, o ministro disse que se sentia “fritado” pelo PT e seu sentimento era o de estar sendo abandonado pelo Planalto.

 

No fim da tarde de ontem, o presidente do PC do B, Renato Rabelo, foi chamado ao Palácio do Planalto para uma conversa com o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. O ministro afirmou que a presidente Dilma Rousseff acompanhava atentamente as denúncias contra Orlando e manifestou preocupação com a avalanche de acusações contra ele.

 

“O quadro é de observância justa e preocupada”, resumiu Carvalho. Ele pediu ao PC do B que não abra fogo contra o PT, sob a alegação de que isso pode piorar as coisas. O governo esperava que Orlando fizesse mudanças rápidas na cúpula do ministério, na tentativa de dar uma resposta às denúncias de irregularidades. Auxiliares de Dilma agora têm dúvidas se ainda é possível reverter o quadro negativo com essa atitude.

 

Rabelo disse que o PC do B mantém o apoio ao titular do Esporte e não aceitará outro nome para ocupar a pasta. “Não podemos admitir um tribunal de exceção”, insistiu ele.

 

O PC do B também rejeita a hipótese de escambo político, na qual trocaria um ministério por outro. Na avaliação dos comunistas, entregar o cargo antes da reforma ministerial, prevista para janeiro, seria atestado de culpa.

 

Surpresa. A saída de Orlando, porém, é cada vez mais uma questão de tempo. O governo ficou surpreso com a rapidez com a qual o STF abriu inquérito para investigar denúncias de envolvimento do ministro em esquemas de corrupção no Esporte. Nos bastidores havia até mesmo suspeitas de que o procedimento era mais um capítulo do enfrentamento do Judiciário com o Executivo.Desde agosto, o Judiciário trava uma batalha com o governo porque a previsão de reajuste da categoria ficou de fora do Orçamento da União.

 

Na prática, porém, a investigação levou a crise para o Planalto. Na sexta-feira, quando deu um voto de confiança a Orlando, Dilma foi taxativa. “Vamos esperar os próximos acontecimentos”, disse ela. A presidente não gostaria de comprar uma briga com o PC do B agora, principalmente porque o partido continua ameaçando “detonar” o suposto esquema de fraude que teria sido montado por Agnelo Queiroz (PT), antecessor de Orlando no ministério e hoje governador do Distrito Federal. À época, Agnelo era do PC do B.

 

Ao participar ontem de audiência da comissão da Câmara que trata da Lei Geral da Copa, Orlando passou boa parte do tempo explicando denúncias. A tropa de choque governista que o acompanhou nos depoimentos da semana passada, na Câmara e no Senado, estava ontem bastante reduzida, em mais um sinal de sua fragilidade política.

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