Planalto dá outro suspiro de alívio

O depoimento do senador José Roberto Arruda(sem-partido-DF) não trouxe muitos fatos novos e só serviu para tornar ainda mais próximo o processo de cassação dele e dosenador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).O que mais irritou os senadores que integram o Conselho de Ética foi a postura,tanto de Antonio Carlos quanto de Arruda, de tentar jogar toda a responsabilidade do episódio nas costas da ex-diretora doProdasen Regina Célia Borges.Embora tenha sido marcada para a semana que vem uma acareação entre os três, a maioriados senadores já sinalizou que está com opinião formada sobre o caso: o depoimento mais convincente foi justamente o deRegina Borges, e os dois senadores mentiram.Mais uma vez, o Palácio do Planalto respirou aliviado ao final do terceiro depoimento dos principais envolvidos, depois que oex-líder do governo no Senado confirmou que não mostrou ao presidente Fernando Henrique Cardoso a lista com os votos dasessão secreta que cassou Luiz Estevão.O presidente, que já havia avisado aos seus ministros que evitassem trazer a crisedo Congresso para o Executivo, reiterou nesta sexta-feira que eles não façam declarações sobre a violação do painel de votações.O processo deve arrastar-se por mais dois ou três meses, conforme previu o senador Jefferson Péres (PDT-AM), o que poderá fazer ainda mais danos à imagem do Congresso, na avaliação de diversos parlamentares.Mas o sentimento geral é de que,pelo desgaste do tempo, não há como ?varrer toda a sujeira para debaixo do tapete porque embora esse tapete seja grande, asujeira é maior?, conforme comentou o senador Paulo Hartung (PPS-ES).Antonio Carlos negou que tenha pedido a lista com os votos dos senadores e alegou que não tomou providência quando elachegou às suas mãos para preservar a instituição.José Roberto Arruda disse que ?não roubou dinheiro público? (como LuizEstevão que foi cassado) mas apenas cometeu uma ?infração regimental? ao ?consultar? a ex-diretora do Prodasen.Nos dois casos, na avaliação dos parlamentares, houve quebra de decoro, uma falta muito grave a ser punida com cassaçãode mandato e perda dos direitos políticos por oito anos, de acordo com a Constituição.Todos reconhecem, no entanto, que ojulgamento desta falta é absolutamente subjetivo, já que decoro quer dizer decência, acatamento, moral, honradez, conceitosque podem variar de uma pessoa para outra.Por isso mesmo, embora cada um tenha suas razões para ter mentido, os senadores entendem que a instauração doprocesso de cassação, primeiro passo para o afastamento de ambos, já é certa e que o afastamento definitivo de ambos estásendo considerado iminente.Da mesma forma, não aceitam que se ?crucifique? Regina Borges, que ambos elogiaram sempre eque ocupou diversos cargos de confiança no Senado.Reconhecem nela também a vantagem de ter assumido integralresponsabilidade pelos atos cometidos, ao contrário dos dois parlamentares.Para os senadores, muitas perguntas continuam sem resposta. A principal delas é que ninguém seconvenceu de que a ex-diretora do Prodasen ao ouvir ?uma consulta? do senador Arruda tenha saído pela madrugada a mobilizarfuncionários do Senado a fim de violar o painel de votações.Também acham que há contradição na versão inicial sobre como foia conversa entre ACM e Arruda, que deu origem a toda essa confusão, se o senador baiano pediu ou não ao ex-líder quefizesse a consulta a Regina ou deu a ordem a ela, como a ex-diretora entendeu.Os senadores não se conformam também com a atitude de ACM que, se não pediu a lista, porque não tomou providências aorecebê-la e ainda telefonou para Regina a fim de tranqüilizá-la.Eles questionam ainda que se a preocupação de todos era coma possibilidade de violação do painel, por que não foram tomadas providências para que isso não ocorresse. Nesta sexta-feira, uma outra controvérsia surgiu, e o ex-líder do governo caiu novamente em contradição ao ser desmentido pela própriaex-diretora do Prodasen, em um telefonema ao celular do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), durante o depoimento.Arrudaacabara de negar que na manhã do dia 28 de junho, data da cassação de Luiz Estevão, tivesse recebido uma ligação de Reginapara lhe informar se seria possível conhecer os votos dos senadores na sessão secreta.Ao ouvir isso, pela televisão, ela imediatamente ligou para Suplicy comunicando que dispunha de documentos da Telebrasíliaque mostravam que às 10h09 daquele dia ela telefonou para Arruda para lhe informar que havia feito o serviço.A ligação, feitapara o celular de Arruda, durou 108 segundos. O fato só serviu para agravar não só a situação do ex-tucano que insistiu em dizerque não se lembrava do fato.

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