Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Planalto confirma que anúncio de reforma administrativa será na semana que vem

Como justificativa para o adiamento, o governo informou que 'alguns dos partidos que integram a base aliada solicitaram o adiamento do anúncio da nova composição ministerial, para que mais consultas possam ser realizadas'

O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 19h20

Brasília - O Palácio do Planalto confirmou que o anúncio da reforma administrativa e ministerial prevista para esta quinta-feira, 24, foi adiado para a próxima semana. Em nota oficial divulgada nesta tarde, a presidente Dilma Rousseff diz que está "efetivando proveitoso diálogo com os partidos políticos com representação no Congresso Nacional". Como justificativa para o adiamento, o Planalto informou que "alguns dos partidos que integram a base aliada solicitaram o adiamento do anúncio da nova composição ministerial, para que mais consultas possam ser realizadas". 

Ainda de acordo com o Planalto, o objetivo da reforma é ampliar a eficiência e a boa gestão dos recursos públicos, assim como assegurar a estabilidade política e econômica do Brasil. 

Dilma já havia avisado o vice-presidente Michel Temer, na manhã desta quinta, que adiaria para a próxima semana o anúncio da reforma. Diante do impasse na definição do espaço a ser ocupado pelo PMDB na equipe, a presidente preferiu conversar mais com os aliados depois que retornar da viagem internacional.

 

A presidente deixou, no início da noite, o Palácio do Alvorada em um helicóptero da FAB rumo à Base Aérea de Brasília, onde embarca para Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Impasse. O impasse ocorreu porque a bancada do PMDB na Câmara exige dois ministérios. Um deles está acertado que será o da Saúde, hoje controlado pelo PT, mas os deputados não aceitam pôr em sua cota as pastas de Turismo, ocupada por Henrique Eduardo Alves, e Aviação Civil, comandada por Eliseu Padilha. 

O líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), ameaçou desfazer o acordo com o governo e retirar as indicações feitas se a bancada não conquistasse duas vagas na Esplanada. "Se modificar, vou tirar todas as indicações e reunir a bancada novamente", disse Picciani ao Estado nesta quinta.Na manhã de ontem, Picciani entregou a Dilma a lista de sugestões com sete nomes.

Dilma ofereceu cinco ministérios para o PMDB, mas pode ampliar a participação do partido de Temer para seis, na tentativa de barrar eventuais pedidos de impeachment na Câmara e aprovar o ajuste fiscal. 

A última proposta apresentada por ela previa que Eliseu Padilha permanecesse na Aviação Civil e Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), fosse deslocado da Secretaria da Pesca para Portos. Para abrigar Helder, a presidente desistiria de fundir Portos e Aviação. O plano de Dilma é incorporar a Pesca ao Ministério da Agricultura. Os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia) e Kátia Abreu (Agricultura), que representam a bancada do PMDB no Senado, continuam em seus postos.

 

Até agora, o favorito para ocupar o Ministério da Saúde, no lugar de Arthur Chioro (PT), é o deputado Manoel Junior, homem da confiança do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Recentemente, Manoel Junior disse que situação de Dilma era "quase insustentável" e recomendou a sua renúncia.

Ajuda. A presidente pediu ajuda ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), para Picciani a aceitar as mudanças na composição do novo ministério. Depois de receber um telefonema de Dilma, na tarde desta quinta, Paes prometeu falar com o líder peemedebista, mas já percebeu que Picciani não aceita que Padilha seja considerado indicação da bancada do PMDB. 

O prefeito e o governador Luiz Fernando Pezão são os mais próximos aliados de Dilma no Rio de Janeiro. Em reunião do PMDB-RJ realizada na manhã desta quinta-feira, Paes fez uma defesa veemente de Dilma e atacou, sem citar nomes, os integrantes do movimento pelo impeachment da presidente, a quem acusou de tentarem  "não só desestabilizar o governo,  mas destruir nosso País". "Não vamos apostar no quanto pior melhor", discursou o prefeito do Rio. 

Apesar dos apoio do governador e do prefeito do Rio, Eduardo Cunha reforçou nesta quinta a sua posição favorável a que o PMDB deixe o governo e disse que a tentativa da presidente de oferecer cargos ao partido como forma de manter o apoio "não é a melhor forma de fazer". "A reforma ministerial é de iniciativa da presidente da República e o que ela vai fazer ou não vai fazer eu não sei. Continuo defendendo que meu partido, o PMDB, saia do governo e não que ocupe cargos", afirmou. "Da minha parte, simplesmente ignoro o que está acontecendo com a reforma. É um gesto do qual eu não faço parte. Não tenho nenhuma gerência, nem ingerência, e nem quero ter", completou. 

Cunha disse que o fato de já estar rompido pessoalmente com o governo e defender a saída do partido da base aliada não é uma atitude de irresponsabilidade e que o PMDB não estaria virando as costas em um momento de crise, agravando ainda mais a situação. "Mas isso é uma coisa, outra coisa é estar fazendo parte do projeto do qual o PMDB não está mais fazendo parte faz muito tempo", disse. 

Segundo Cunha, a tentativa de reintroduzir o PMDB no projeto através de cargos públicos não é a melhor forma de fazer. "Mais ocupação de cargos ou menos ocupação de cargos jamais vai resolver as divergências básicas", afirmou.

Leia a íntegra da nota do Palácio do Planalto:

"A presidenta Dilma Rousseff está efetivando proveitoso diálogo com os partidos políticos com representação no Congresso Nacional. O objetivo é realizar uma reforma administrativa que amplie a eficiência e a boa gestão dos recursos públicos, bem como assegure a estabilidade política e econômica do Brasil. Alguns dos partidos que integram a base aliada solicitaram o adiamento do anúncio da nova composição ministerial, para que mais consultas possam ser realizadas. Assim sendo, a conclusão e o devido anúncio da reforma administrativa e ministerial serão na próxima semana". 

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