Planalto comemora pedido de afastamento de Cunha

Governo teme que, se o presidente da Câmara continuar no cargo, o processo de impeachment de Dilma possa ser 'manipulado' por ele

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 20h55

Brasília - O pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de deputado federal e, consequentemente, das funções na Presidência da Casa, feito ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi “muito bem recebido” pelo Palácio do Planalto.

No governo, há um “forte temor” de que, se Cunha permanecer no comando da Câmara, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff possa ser “manipulado” por Eduardo Cunha, a exemplo do que ele já está fazendo na Comissão de Ética da Câmara, que trata da perda de mandato do peemedebista.

O pedido de afastamento de Cunha já era esperado pelo Planalto. Apesar de o parecer do ministro do STF, Luiz Edson Fachin, na sessão sobre o rito do impeachment não ter sido favorável à presidente Dilma Rousseff, o final do dia, com a decisão da PGR, foi considerado “fundamental” pelo governo. Assessores da presidente lembram que o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara é necessário, porque “não é possível” ele conduzir o processo que pede o afastamento de Dilma “ao seu bel prazer”.

Dilma, enquanto isso, continua tentando mostrar normalidade na conduta do governo. Tem feito viagens e comandando cerimônias todos os dias e aproveitando os discursos que faz, para defender seu mandato, dizendo que não cometeu irregularidades em seu governo.

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