Planalto cede e desaloja aliados de ACM

Somente agora, a cinco meses do término do governo e depois de incontáveis protestos de peemedebistas e tucanos, o Palácio do Planalto cede à pressão dos aliados e decide desalojar os adversários "carlistas" dos cargos federais na Bahia. Foi preciso um ano e meio de muita queixa, desde o rompimento oficial entre o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o presidente Fernando Henrique Cardoso, selado com a demissão dos dois ministros indicados por ACM (Waldeck Ornélas, da Previdência Social, e Rodolpho Tourinho, das Minas e Energia)."Nem queríamos mexer nisso em fim de governo, mas a pressão do PMDB ficou insuportável", diz um interlocutor do presidente Fernando Henrique. Nem por isto, o PFL inteiro será despachado dos postos de poder Brasil afora. "Eles (os pefelistas) são milhares e estão entranhados na administração federal de tal forma que despachá-los significaria desmontar toda a máquina pública, o que seria impraticável", completa o interlocutor.Segundo este colaborador de Fernando Henrique, até o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, que lidera o movimento pró-Ciro Gomes no partido, ainda mantém afilhados em posições federais. Bem que Bornhausen determinou à diretoria da Eletrosul, indicada por ele, que pusesse os cargos à disposição quando o PFL rompeu com o governo em defesa da candidatura presidencial de Roseana Sarney. "O governo os manteve porque quis", reconhece o interlocutor. "Mas além deles, o Bornhausen ainda tem a Funasa e as delegacias da Agricultura e do INSS em Santa Catarina", diz o informante.Não foi à toa que o Planalto manteve os carlistas e outros pefelistas em seus cargos. Em tempos de desavenças eleitorais entre aliados, considerou-se mais prudente evitar qualquer "marola" que pudesse dificultar a aprovação da emenda que prorrogava a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A MP que renderá ao governo algo em torno de R$ 20 bilhões neste ano só foi aprovada pouco antes do fim do recesso parlamentar de julho.Em meio à crise econômica e às dificuldades políticas de seu candidato, o governo acabou cedendo. O PMDB passa a dirigir a Fundação Nacional de Saúde na Bahia, a superintendência do Instituto Nacional de Previdência e Assistência Social e a Codevasf em Juazeiro. ACM e seus aliados também perdem para os tucanos o comando da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) e do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Denocs).O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), desconversa e se recusa a falar em cargos. "Se o presidente prefere manter os traíras que só o criticam e fazem campanha para Ciro (Gomes, do PPS), problema do governo", diz o líder. Não é bem assim, já que o próprio Geddel vinha sendo pressionado pelos baianos do PMDB, todos irritados com a situação de defender um governo que premia os adversários.Embora a bancada baiana do PSDB também tenha se beneficiado da demissão de carlistas, o tucano que comanda a campanha de Serra, deputado Pimenta da Veiga, acabou amargando a demissão do homem que indicara para presidir os Correios. Hassan Gebrin foi demitido para aumentar a participação do PMDB no governo.O substituto será o presidente do Conselho Superior da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Humberto Motta, uma indicação conjunta do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e do Presidente do Instituto Ulysses Guimarães, Moreira Franco.

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