Planalto avalia que ministra foi fortalecida

Governo comemora depoimento e vê fragilidade nas falas da ex-secretária

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

O governo comemorou ontem o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lina não só não conseguiu provar que se encontrou com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no fim de 2008, como demonstrou fragilidade em suas afirmações. Auxiliares do presidente disseram ao Estado que Lina "amarelou" diante dos senadores. Antes de embarcar de volta do Rio para Brasília, na noite de ontem, Lula chegou a comentar com interlocutores que a ex-secretária da Receita recuou, pois não se lembrava nem mesmo a data do encontro no qual Dilma teria pedido a ela que "agilizasse" a investigação do Fisco nas empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Na segunda-feira, Lula desafiou Lina a "mostrar sua agenda" para provar que se reuniu com Dilma, pré-candidata do PT à Presidência, em 2010. A ex-secretária disse não ter conseguido achar a agenda. Pressionada ontem pela tropa de choque governista, Lina afirmou que pode ter tido "uma interpretação errada" quando entendeu o pedido para "agilizar" as investigações como sinônimo de "encerrar". Contrariado com o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), por causa da insistência dele em desarquivar ao menos uma representação contra Sarney, Lula gostou do desempenho do petista durante o depoimento de Lina à CCJ. Mercadante foi ríspido no questionamento à ex-secretária da Receita e insinuou que ela teria informado o jornal Folha de S. Paulo sobre a suposta reunião com Dilma por não se conformar com sua demissão. "As afirmações de Lina não têm consistência", insistiu Mercadante. "Como alguém tem encontro com a ministra e não sabe nem se foi antes ou depois do Dia de Nossa Senhora Aparecida, do Dia de Finados ou do Natal?", provocou o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), engrossou o coro contra Lina. "Ela recuou ao dizer que não recebeu pressão", disse Berzoini. Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), a ex-secretária da Receita foi "corajosa" ao confirmar o diálogo com Dilma. "Só um maluco pode imaginar que ela está mentindo", reagiu.A oposição quer aproveitar o episódio para carimbar Dilma como "mentirosa" e não desistiu da acareação entre ela e Lina. "Uma ministra não pode chamar a secretária da Receita para fazer ponderações de interesse privado", disse Guerra. "Isso é grave e inaceitável."

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