Planalto atua para manter Gerdau no Conselhão

Fórum é uma das apostas de Dilma para tentar reverter crise econômica, mas empresário ainda não disse se permanece

Isadora Peron e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2016 | 03h00

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto trabalha para que um dos mais importantes empresários do País, Jorge Gerdau, permaneça no novo Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Conselhão. Gerdau se aproximou do governo durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. No entanto, já distante do Planalto, ele fez duras críticas à condução da política econômica no ano passado.

Batizada de Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, a iniciativa acabou abandonada pela gestão Dilma em 2014. Uma das suas principais missões do fórum, a de incutir na máquina pública práticas da boa gestão, acabou não prosperando.

Diante do momento delicado da economia, a reedição do Conselhão se tornou hoje uma das principais apostas de Dilma para tentar encontrar caminhos para que o País possa voltar a crescer. A ideia é que a própria presidente comande a primeira reunião do grupo, já na primeira semana de fevereiro, antes do feriado de carnaval.

Com cerca de 100 integrantes, ele deve ter uma renovação de até 50% dos seus quadros. Até o momento, o empresário Jorge Gerdau ainda não confirmou se fica. O governo, porém, acredita que outros nomes como o presidente do grupo Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e a empresária Luiza Trajano, que comanda a rede de lojas de varejo Magazine Luiza, irão permanecer no grupo. Além de quadros importantes do PIB brasileiro, há representantes de sindicatos, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e de entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, foi escalado por Dilma para fazer as sondagens e fechar a nova lista de integrantes. Uma das ideias para o novo formato do Conselhão é que o fórum seja dividido em grupos, que discutiriam temas específicos como reforma da Previdência, a melhoria da relação capital/trabalho para facilitar acordos entre empresas e empregados, e a reforma tributária.

Importância. Criado em 2003 durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o colegiado não teve a mesma importância sob o governo Dilma e se reuniu pela última vez em julho de 2014.

Na era Lula, porém, o grupo foi responsável pela elaboração de medidas importantes para que a crise econômica mundial de 2008 não atingisse o País em cheio. Uma das soluções adotadas pelo petista na época, a de promover políticas anticíclicas de aquecimento da economia, foi elaborada com ajuda do colegiado.

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