Planalto aposta em novo pacote de obras

Ao comandar uma ampla reunião no fim de semana no Palácio da Alvorada com os principais ministros e dirigentes de bancos estatais, a presidente Dilma Rousseff tenta deixar para trás uma agenda negativa pela qual atravessa desde o início do ano.

ANDRÉ BORGES, RICARDO BRITO E TALITA FERNANDES, Estadão Conteúdo

26 Abril 2015 | 09h26

Na sexta-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou pela primeira vez publicamente, em um encontro com petistas de São Paulo, que a sua sucessora crie fatos positivos em seu governo de forma a abrir uma saída para a crise política que se arrasta desde a posse. Aliados do Congresso também cobram de Dilma uma agenda para reanimar a economia.

A aposta de Dilma para corrigir o rumo do governo e destravar os investimentos está em um novo pacote de concessões na área de infraestrutura.

O plano é oferecer para a iniciativa privada até quatro novos trechos de rodovias e três aeroportos, além de ferrovias e portos. A maior parte dos projetos está na gaveta do governo desde o ano passado.

As estradas federais que já foram alvos de estudos pela iniciativa privada e pelo governo e que devem ir a leilão são a BR-163, entre o Mato Grosso e o Pará; a BR-364, que segue de Goiás para Minas Gerais; a BR-364, a partir de Mato Grosso até Goiás; e um eixo no Paraná, ligando as BRs-476, 153, 282 e 480. Essas concessões, somadas à da Ponte Rio-Niterói, já realizada, somam 2.625 quilômetros de rodovias. Com prazo de 30 anos, devem atrair investimentos de R$ 17,8 bilhões. A característica comum a elas é privilegiar rotas de escoamento para o agronegócio. "Somos defensores dessas concessões. Onde as obras são feitas pelo setor publico é uma tristeza, não conseguem andar", comentou o senador Blairo Maggi (PR-MT).

No setor aeroportuário, o governo promete colocar na mesa de negociações os aeroportos de Salvador, Florianópolis e Porto Alegre, como já havia informado o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. O objetivo é atrair novos operadores internacionais e incentivar a formação de consórcios.

O setor ferroviário revela uma das principais mudanças de postura do governo. Conforme mostrou reportagem do Estado na semana passada, a proposta analisada é fazer um leilão para entregar à iniciativa privada dois trechos recém-construídos da Ferrovia Norte-Sul. A estatal Valec acaba de concluir uma malha de 855 km da ferrovia, entre Porto Nacional (TO) a Anápolis (GO). Até o início do ano que vem, uma extensão de 669 km da Norte-Sul também estará pronta, ligando Ouro Verde de Goiás (GO) a Estrela d?Oeste (SP).

A proposta de outorga da ferrovia é defendida pelo Ministério da Fazenda, por conta do potencial de arrecadação que promete. Avalia-se que apenas um dos trechos da Norte-Sul teria capacidade de movimentar cerca de R$ 3 bilhões em outorga, com concessão de 30 anos.

Reunião

Entre os ministros que estiveram com Dilma ontem (25) no Palácio da Alvorada estavam Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda), Kátia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia), Nelson Barbosa (Planejamento), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) e Edinho Silva (Comunicação Social). Participaram da reunião ainda o vice-presidente de infraestrutura do Banco do Brasil, César Borges, e a presidente da Caixa, Miriam Belchior. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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