Planalto aguarda pedido de demissão de Bezerra nesta terça

O Palácio do Planalto e o PMDB aguardam paraesta terça-feira um pedido oficial de demissão do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.Foi este o clima de sua conversa,nesta segunda-feira à noite, com os ministros Aloyzio Nunes Ferreira, da secretaria-geral da Presidência, e Pedro Parente, da Casa Civil.Irritado por jamais ter sido informado das operações de empréstimo entre a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste(Sudene) e a empresa Metasa, da qual seu ministro foi sócio de 1989 a 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso passou aseus auxiliares a incumbência de recebê-lo, alegando problemas de agenda.Bezerra telefonou ao ministro Aloyzio nesta segunda-feira cedo, garantindo ter provas documentais de que todo o dinheiro da Sudenerepassado à Metasa neste período fora corretamente aplicado na empresa, e com contrapartida.Apesar da garantia, governo ePMDB revelaram-se céticos quanto à eficácia das explicações do ministro para rebater as denúncias de desvio de verbas daSudene, uma vez que o PMDB já havia retirado seu apoio a Bezerra, e o presidente não teria mais razões pessoais para mantê-lo.O descontentamento geral com o ministro era tamanho que, antes mesmo de ele desembarcar em Brasília para fazer sua defesa,governo e líderes aliados já discutiam sua substituição com o presidente Fernando Henrique.Em reunião do presidente com os articuladores políticos do governo e os líderes do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), e doPSDB, senador Sérgio Machado (CE), os nomes lembrados para o posto de Bezerra foram o do ex-presidente da Câmara,Michel Temer (PMDB-SP), e o do líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA).Ao longo do dia, nenhum cardeal do PMDBarriscou uma só palavra em favor do ministro e menos ainda uma articulação para poupá-lo da degola.O único que saiu em campo, defendendo Bezerra, foi o vice-presidente do PFL, senador José Agripino Maia (RN), dando pistasde que a eventual demissão do ministro atingirá mais o PFL potiguar do que o PMDB.Agripino destacou que a Metasa é um ?empreendimento sério?, tanto que ajudou a empresa a liberar recursos da Sudene noperíodo em que ele governou o Rio Grande do Norte.?O problema é que a empresa enfrentou dificuldades devido ao dumpingpraticado pela China e porque as reservas de tungstênio na Serra da Formiga eram menores do que as previstas peloDepartamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)?, disse.O empenho do senador pefelista em preservar o ministro peemedebista tem suas razões na corrida pela sucessão estadual em2002.Agripino decidiu apoiar a candidatura de Bezerra, numa articulação contra o PMDB dos Alves, que quer o deputadoHenrique Eduardo Alves na cadeira do governador Garibaldi Alves (PMDB).Em busca de espaço político para garantir suacandidatura, o próprio Bezerra já havia dado pistas de sua intenção de trocar o PMDB pelo PTB em setembro, cumprindo assim oprazo legal de um ano de filiação para os candidatos às eleições gerais de 2002.O PMDB vê na saída do ministro uma boaoportunidade para resolver logo um problema regional, eliminando a disputa pela legenda entre Henrique Eduardo e Bezerra.Mas esta não é a única razão que leva os cardeais peemedebistas a cruzar os braços diante das dificuldades do ministro.Acúpula do PMDB avalia que Bezerra é muito pouco partidário em sua relação com os companheiros. Neste caso, salienta umdirigente do partido, não vale a pena para ninguém se expor publicamente para defender o ministro.Depois do bombardeio de denúncias de corrupção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e naSuperintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e da insistência do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA)em colar no partido o carimbo da corrupção, a avaliação do PMDB é a de que o desgaste de uma defesa não compensa.?Omelhor é defenestrar logo este ministro?, resume o dirigente.Os peemedebistas queixam-se, também, da falta de solidariedade do ministro Bezerra.Que o diga o líder Renan Calheiros, querompeu com o ministro recentemente, quando este deu publicidade às suas suspeitas de irregularidade na aplicação de verbasdo Ministério da Integração pela prefeitura de Murici (AL).A prefeitura é comandada por um dos irmãos de Calheiros que nemsequer foi ouvido ou chamado a dar explicações, antes de o ministro divulgar suas denúncias.O troco veio nesta segunda-feira, quando Renan ouviu calado os nomes de Temer e Geddel serem cogitados para substitur Bezerra.Nareunião com o presidente Fernando Henrique, da qual participou também o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, ficoupraticamente acertado que o eventual substituto de Bezerra será mesmo do PMDB, que mantém o cargo sobretudo porque ogoverno precisa manter o apoio do partido neste momento grave de risco iminente de instalação da Comissão Parlamentar deInquérito (CPI) ampla para apurar corrupção no País.Segundo um dos participantes do encontro, não seria fácil tirar os incentivos regionais das mãos de um nordestino, com Temerpor exemplo, mas este não foi o critério que ficou estabelecido nesta segunda.Do ponto de vista do governo, o pré-requisito para ocupar acadeira de ministro da Integração hoje é ter bom trânsito e respeitabilidade no Congresso.

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