Planalto aguarda com expectativa fala de ACM

O Palácio do Planalto aguarda com expectativa o discurso marcado para esta terça-feira do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mas orientou seus interlocutores a minimizar o impacto das acusações e denúncias contra órgãos do governo, prometidas pelo ex-presidente do Senado. O presidente Fernando Henrique Cardoso não quer que fique sem respostas um eventual ataque à sua figura, e para isso o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-), estará presente durante o discurso. Mas a ordem é evitar polêmica desnecessária, enquanto o governo espera a iniciativa do próprio PFL de neutralizar a rebeldia de ACM.Depois da sinalização do senador Antonio Carlos de "poupar" o presidente em seu discurso, a estratégia montada pelo governo é dar uma importância "pontual" às acusações que o senador levar ao plenário. Cada órgão do governo citado por ACM deverá responder separadamente às declarações do baiano. "Depois de seis anos de governo, houve uma mudança brusca na correlação das forças aliadas, e nós temos que ter equilíbrio para deixar passar o vendaval e atuar com o que é objetivo", explica um interlocutor do governo no Congresso. "Se houver provas, o governo deve mandar apurar as denúncias; se não, não tem que dar dimensão às coisas de Antonio Carlos."Articuladores políticos do Planalto estão orientados a dar um enfoque partidário à relação de Antonio Carlos Magalhães com o governo. Isto porque o Executivo trabalha com a hipótese de reaproximação do PFL e envia aos dirigentes do partido sinais de que não pretende radicalizar por meio da retirada de cargos na cota pefelista. "O PFL não ganha mais nada, mas o presidente também não pretende fazer qualquer retaliação ou mudança de natureza política pequena", garantiu um interlocutor do Planalto.Em qualquer hipótese, o presidente espera o tempo correr e a poeira baixar para executar mudanças no governo. Já não se espera mais reforma ministerial para a primeira semana pós-carnaval: Fernando Henrique quer dar tempo ao PFL para recompor sua situação com o governo, e seus auxilares têm dito que ACM é um problema do partido. "O PFL é importante para o governo, para a governabilidade, para as votações no Congresso e para a sucessão de 2002", afirmou um articulador político de Fernando Henrique.

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