Planalto admite mudar partilha

Saúde ficaria com 0,30% dos 0,38% da CPMF, um acréscimo de R$ 8 bilhões para o orçamento anual da área

Lígia Formenti e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

Numa tentativa de ver aprovada a prorrogação da CPMF, a bancada governista no Senado admitiu discutir algo que há alguns meses era considerado impensável: a forma de divisão da arrecadação do imposto do cheque. A proposta, feita pelo ex-ministro da Saúde Adib Jatene, é de que a maior parte dos recursos arrecadados com o chamado imposto do cheque sejam destinados para a área da saúde. Uma parcela menor seria usada para financiar o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Com isso, a Previdência ficaria excluída da partilha. Hoje, dos 0,38% da CPMF, 0,20% vão para a saúde, 0,10% para a Previdência e 0,8% para o combate à pobreza. Pela nova proposta, a saúde passaria a receber 0,30% dos 0,38% - o que representaria um acréscimo de R$ 8 bilhões para o orçamento anual da área. A líder do bloco de apoio ao governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), prevê que a proposta será conhecida na segunda-feria. "O que eu sinto é que tem condição de avançar neste fim de semana e apreciá-la na segunda-feira", afirmou. O líder do PMDB, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), acredita que será possível captar votos dentro das bancadas do PSDB e do DEM, a ponto de chegar a um placar de pelo menos 51 senadores favoráveis à prorrogação da CPMF. Ou seja, 2 votos além dos 49 necessários para aprovar a emenda. "Se você me perguntar se tem possibilidade de o governo sinalizar algo nessa direção (de aumentar os recursos para saúde) eu diria que tem", disse Raupp. ARROGÂNCIAA idéia conta com a simpatia óbvia de setores da saúde, como conselhos de secretários municipais e estaduais da área e de governadores. Mas as chances de vingar são poucas. "O governo foi muito arrogante na Câmara, passou o rolo compressor, não quis negociar", recorda o deputado tucano Rafael Guerra (MG). "Na época fiz sugestões semelhantes, mas não fui ouvido. Agora é tarde."Para Guerra, as mínimas chances de acordo caíram por terra com os pronunciamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele praticamente incitou a população a agredir senadores que votassem contra a CPMF", avaliou. "Ele perdeu o controle. Se havia alguma intenção de se aproveitar de tucanos indecisos, o efeito foi inverso."Para os defensores da prorrogação da CPMF, a proposta de Jatene compensaria as perdas que o setor de saúde teria na fórmula, que já havia sido anunciada, da redução progressiva da alíquota.

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