PL pode abrir mão de vagas em MG para garantir coligação

Após admitir as possibilidades de apresentar uma chapa própria de candidatos à Assembléia Legislativa ou ir à Justiça para fazer valer o protocolo de aliança político-eleitoral, o PL mineiro agora pode abrir mão de algumas vagas à disputa pelo legislativo do Estado para garantir a coligação com o PT na disputa das 77 vagas para deputado estadual. A decisão foi tomada hoje, após conversas por telefone com a presidente estadual do PT, em Minas, a deputada federal Maria do Carmo Lara. Porém, os petistas consideram o assunto encerrado e esperam agora uma possível intervenção da executiva nacional no Estado.De acordo com Maria do Carmo Lara, as conversas com o PL sobre a coligação no Estado, a partir de amanhã, estão encerradas e a executiva estadual aguarda um novo posicionamento da direção nacional do partido. "É evidente que, se isso acontecer, politicamente a condução do processo eleitoral no Estado ficará comprometida. Agora, acatar ou não a posição da executiva nacional é outro assunto que precisará ser analisado por cada integrante do partido", disse, admitindo até um racha com a direção nacional, que exige a formalização da coligação com o PL no Estado. Para o secretário-executivo do PT, em Minas Gerais, Paulo César Funghi, o partido se mostrou coerente ao manter a decisão de não aceitar a coligação para a eleição dos deputados estaduais e trabalhou para que o PL desistisse desta determinação. "O PT em Minas apenas decidiu não aceitar mais ingerências e ignorâncias do PL", disse. Funghi ainda lamentou a ligação do nome do senador José Alencar (PL), e vice na chapa de Luis Inácio Lula da Silva (PT), à Presidência da República, no impasse entre os partidos em Minas. "O senador José Alencar não tem culpa nisso", completou.Com o posicionamento do PT, o presidente do PL em Minas, o deputado Agostinho da Silveira, apressou-se em consultar os candidatos para a eleição proporcional e os membros do diretório liberal sobre a possibilidade de uma redução no número de candidatos do partido em benefício dos candidatos petistas. "Espero que haja boa vontade dos nossos companheiros e que o PT saiba reconhecer o nosso sacrifício. Se mesmo assim o PT mineiro não abrir mão da sua posição, iremos então aguardar o ato de aplicação da deliberação nacional", explicou.Uma definição final sobre a tumultuada coligação em Minas foi adiada para esta quarta-feira, pelo menos para o PL, pois, neste dia, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) vai sortear a distribuição dos outdoors com a propaganda eleitoral. Conforme Silveira, os liberais já receberam sinalização da direção nacional do PT de que a ata com o registro da coligação em todos os níveis seria enviada ao tribunal mineiro, caso os partidos não chegassem ao entendimento. "O PL também já avisou ao PT que não abre mão da coligação para a disputa às vagas para deputado estadual. Ainda aguardamos para amanhã uma definição sobre a questão", completou.Para a coligação em Minas Gerais, a recomendação é de que PT e PL se unam em torno da candidatura a governador de Nilmário Miranda (PT). O PL apresentou Danuza Bias Fortes, ex-vereadora do município mineiro de Barbacena, como vice-governadora. Apesar de ter registrado a chapa na última sexta-feira, no TRE, os liberais, mesmo não querendo, ameaçam romper. Os petistas não aceitam coligar-se ao PL para formar chapa para o legislativo, pois alegam que o partido tem considerável número de votos de legenda e, com a coligação, deixariam de eleger vários deputados estaduais petistas para dar lugar aos liberais.

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