Wilton Junior, Dida Sampaio e Gabriela Biló/ Estadão
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Eliane Cantanhêde
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PL leal, PSDB unido, Lula inocentado, Moro não é 'Bolsonaro de 2022'. Será?

É hora de ouvir, mas não de acreditar no que os presidenciáveis dizem e no que os partidos anunciam como líquido e certo

Eliane Cantanhêde*, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2021 | 05h00

A um ano das eleições, com os pré-candidatos em busca de um lugar ao sol, há uma profusão de blefes por todos os lados. É hora de ouvir, mas não de acreditar no que eles dizem e no que os partidos anunciam como líquido e certo.

O presidente Jair Bolsonaro anuncia que o PL vai fazer alianças com partidos de esquerda, o ex-presidente Lula diz que a Lava Jato nunca existiu e que ele foi inocentado, Sérgio Moro nega que seja "o Bolsonaro de 2022", Ciro Gomes jura que vai até o fim.

No segundo pelotão, João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio fizeram juras de amor eterno. Rodrigo Pacheco e Simone Tebet se apresentam como candidatos para valer. E Luiz Henrique Mandetta avisa que não desistiu. Será?

Segundo Bolsonaro, tudo bem o PL se aliar a processados, condenados e presos, mas com a esquerda não pode. E se lá pelas tantas Bolsonaro perder fôlego e sua ida ao segundo turno estiver ameaçada, os candidatos do PL vão morrer na praia com ele?

Em 2018, o Centrão fechou com o tucano Geraldo Alckmin, mas Ciro Nogueira, do PP, se bandeou para o PT no Piauí e para Lula na eleição presidencial. Depois, abocanhou “a alma” do governo Bolsonaro.

Quanto a Lula: o petrolão foi uma invenção de Moro e dos procuradores de Curitiba? E os bilhões de reais devolvidos pelos acusados? Mais: os processos voltaram à estaca zero por tecnicidade jurídica, Lula não foi “inocentado”.

Na outra ponta, Moro vai ter de explicar excessos e as conversas com procuradores divulgadas pelo Intercept Brasil e vai ter de ter trabalho para negar que seja o “Bolsonaro de 2022”. A corrupção já seria sua bandeira natural, o liberalismo ele agregou com Affonso Celso Pastore e recolhe os náufragos do bolsonarismo, como os militares e ex-ministros do governo.

Ciro tem recall e o melhor marqueteiro, João Santana, mas não cola, ou decola. O que, aliás, preocupa todo o centro, pois ele ajuda a segurar a onda da esquerda para Lula. Simone, trunfo do MDB para ficar no muro, traz uma voz feminina para o debate e é opção de vice. Pacheco ganha visibilidade, o PSD ganha tempo.

E o PSDB entra em campo com Doria e com dois desafios: evitar o estouro da tucanada e liderar o centro após o vexame das prévias e a guerra entre ele e Leite.

A eleição tem Lula, Bolsonaro e todos os demais, que negociam uma opção para o País que nem faça loas a Pinochet e Stroessner nem defenda Maduro e Ortega. Para Bruno Araújo, presidente do PSDB, Moro é um “catalisador do centro e vai jogar junto”. Junto com quem? Com todos da terceira via. Isso não é blefe. Fácil não é. Impossível também não.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

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