Alexandro Auler/Estadão
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Pizzolato quer cumprir pena na Itália e vai recorrer da decisão

Defesa do ex-diretor do Banco do Brasil, condenado no mensalão, promete acionar Corte Europeia de Direitos Humanos após Justiça italiana autorizar volta ao Brasil

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 13h30

MODENA - A defesa do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato afirmou nesta quinta-feira, 12, que vai recorrer da decisão de extraditar o brasileiro à Corte Europeia de Direitos Humanos. O advogado Alessandro Siveli sinalizou, no entanto, que Pizzolato está disposto a cumprir a pena na Itália.

Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por envolvimento no mensalão, mas fugiu para a Itália. Desde o ano passado o governo brasileiro tenta extraditar o ex-diretor. Nesta manhã, a Justiça italiana autorizou o retorno dele ao Brasil, mas a decisão final cabe ao governo do país. Em comunicado, Siveli declarou seu "estupor" diante da decisão que, segundo ele, foi tomada "sem um fato novo".

Segundo o advogado, Pizzolato está disposto a ser julgado na Itália uma vez mais e, se condenado, estaria de acordo em cumprir sua "pena na Itália". Sivelli indicou que, além da Corte Europeia, também apresentou recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Nenhuma das duas iniciativas, porém, tem efeito suspensivo e não conseguiriam barrar o envio do brasileiro ao País.

Nesta manhã, a Corte de Cassação em Roma reverteu a decisão de primeira instância de rejeitar a extradição e aceitou as garantias dadas pelo governo brasileiro de que a integridade física de Pizzolato será assegurada no Complexo da Papuda. O julgamento ocorreu na quarta-feira, em Roma, mas a sentença foi pronunciada apenas nesta manhã. Momentos depois do anúncio, o ex-diretor se apresentou à polícia de Maranello.

Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil fugiu do País há um ano e cinco meses, com um passaporte falso e declarou que confiava que a Justiça italiana não faria um processo político contra ele, como acusa a Justiça brasileira de ter realizado. Ele chegou a ser preso, mas foi solto em outubro do ano passado. Ao sair da prisão, declarou que havia fugido para "salvar sua vida". 

"Estamos confiantes de que o ministro não concederá a extradição, como foi feito em um caso análogo (de 13 de julho de 2001) que foi negada a extradição ao cidadão ítalo-brasileiro Salvatore Cacciola", disse o advogado, lembrando que o estado brasileiro não reconhece o princípio da reciprocidade e não extradita seus próprios cidadãos. 

Ele voltou a denunciar a situação das prisões nacionais. "As cárceres brasileiras estão nas mãos de organizações criminosas que não hesitam em matar detentos que não cedem à extorsão", disse.

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