Pizzolato admite ter levado encomenda de Valério ao PT

Depois de negar com firmeza todas as acusações de envolvimento com desvio de recursos públicos, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato teve dificuldades hoje para explicar por que é acusado de receber R$ 326.660,27 de Marcos Valério de Souza e como, pouco depois, comprou um apartamento por R$ 400 mil. Em depoimento no processo criminal sobre o mensalão que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), prestado à 7ª Vara Federal Criminal do Rio, ele alegou ter feito um favor a Valério - acusado de operar o esquema de corrupção - recebendo dois envelopes, que não abriu, para repassar ao PT. Porém, pressionado pelo juiz Marcelo Granado, o ex-diretor admitiu ter pago parte do preço do apartamento em dinheiro, mas insistiu que era seu. Ele também se queixou das acusações. "Tenho vivido uma situação de Guantánamo há três anos", disse Pizzolato, numa referência à prisão que os Estados Unidos mantêm em Cuba, para prisioneiros que considera terroristas. Pizzolato foi denunciado pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público por servidor), corrupção passiva e lavagem de dinheiro.O ex-diretor admitiu ter enviado o contínuo da Previ Eduardo Ferreira a um endereço no centro do Rio para pegar "documentos para serem repassados ao PT". Segundo ele, uma mulher que se identificou como secretária de Marcos Valério, telefonou para seu celular e pediu que, como um favor ao publicitário, pegasse os papéis e os entregasse ao partido. Pizzolato disse que não poderia fazê-lo, mas prontificou-se a conseguir alguém para a tarefa. Via telefone, ele conseguiu que Ferreira fosse ao endereço indicado. O contínuo entregou-lhe os envelopes em seu apartamento em Copacabana. Mais tarde, um emissário do PT foi pegar a encomenda.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.