Pivô de escândalo no Senado vai presidir principal comissão da Câmara do DF

Agaciel Maia, envolvido no caso dos atos secretos, foi escolhido por unanimidade para presidir a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 19h13

BRASÍLIA - Pivô do escândalo dos atos secretos do Senado, Agaciel Maia (PTC), que se elegeu deputado distrital em 3 de outubro último, foi escolhido por unanimidade para presidir a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mais importante da Casa. "Não pleiteei o cargo, os colegas me escolheram livremente pelo meu perfil de economista e especialista em orçamento", afirmou ele.

 

Maia, que preside nesta quinta a primeira reunião da comissão, terá poder para analisar, fiscalizar e propor ajustes sobre o orçamento de R$ 19 bilhões anuais do GDF. Cabe à comissão emitir pareceres de natureza tributária, creditícia e orçamentária, além de monitorar a evolução das contas públicas e até a fixação de subsídios dos deputados, do governador e do vice. É de sua alçada ainda sabatinar indicados para Conselheiros do Tribunal de Contas e para presidir o Banco de Brasília (BRB).

 

Integrante da base do governo do petista Agnelo Queiroz, Maia foi recebido de braços abertos pelos colegas, tanto da oposição, como da base aliada. "A população legitimou o seu mandato com expressiva votação", disse o deputado Chico Vigilante (PT). "É natural que, uma vez eleito, ele dispute os espaços de poder da Casa", enfatizou o deputado Cristiano Araújo (PTB).

 

Denunciados em série de reportagens do Estado, os atos secretos eram editados para nomear aliados e parentes de senadores, incluindo do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), aumentar rendimentos de servidores e criar cargos.

 

Sobre o passado, Maia disse que foi alvo de injustiças e perseguição política, mas garante que não tem do que se envergonhar. "Em dois anos de devassa no Senado, ninguém foi demitido e nenhum ato revogado", defendeu-se. "Sinto-me preparado para o cargo, pois convivo há 34 anos no ambiente parlamentar e sempre trabalhei com orçamento", afirmou.

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