Pistoleiros matam outro líder sindical no Pará

O presidente da Associação de Trabalhadores Rurais de Ipaú, no km 60 da rodovia Transcametá, na região do Baixo-Tocantins paraense, Miguel Freitas da Silva, de 44 anos, pai de oito filhos, foi assassinado a tiros por dois pistoleiros no ultimo sábado. Ele estava sentado em frente de sua residência, em Tucuruí, quando chegaram os dois homens em uma motocicleta. Um deles perguntou: ?Quem é o Miguel?? O sindicalista respondeu: ?Sou eu?. Imediatamente os pistoleiros sacaram suas armas e dispararam vários tiros contra o sindicalista. Dois tiros atingiram Miguel no peito e costelas. Ele morreu ao dar entrada num hospital de Tucuruí. A polícia abriu inquérito para apurar o caso, mas não tem pistas dos criminosos, que teriam fugido em direção à rodovia Transamazônica. Uma filha adolescente da vítima presenciou o crime. Ela disse, na polícia, ser capaz de identificar os assassinos. De julho até o começo de setembro, sete dirigentes sindicais envolvidos na luta pela reforma agrária foram mortos no Pará. Testemunhas ouvidas até agora na delegacia policial de Tucuruí contaram que a vítima era um combativo líder das famílias sem-terra na região. Para elas, a luta de Miguel pela desapropriação de áreas improdutivas pode ter provocado o descontentamento de algum fazendeiro, que teria decidido por sua morte. Além da atividade sindical de Miguel, a polícia não descarta a possibilidade de que uma briga pela liderança do assentamento Ipaú tenha motivado o crime. Na área vivem hoje mais de 200 famílias. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Tucuruí acredita que o assassinato foi provocado pela posse da terra. Segundo a entidade, a polícia pouco tem se empenhado para desvendar crimes dessa natureza. Em Altamira, o delegado Roberto Teixeira está sendo pressionado por entidades sindicais e ambientalistas a continuar as investigações sobre a morte do líder sindical Ademir Alfeu Federicci, ocorrida há dez dias. O delegado deu o caso por encerrado depois que o acusado, Júlio César dos Santos Filho, confessou ter matado Federicci para roubar um aparelho de TV. O fato de no dia do crime Júlio ter estado no local onde a vítima trabalhava seria uma dos motivos para o aprofundamento das investigações. As entidades insistem em afirmar que Federicci foi morto porque denunciou desvio de verbas da Sudam e roubo de madeira.

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