Pinheiro Landim deve renunciar nesta 4ªF ao mandato

O deputado Pinheiro Landim (sem partido-CE) deve renunciar nesta quarta-feira ao mandato que terminaria no final deste mês, numa tentativa de impedir a abertura de processo que poderá deixá-lo inelegível pelos próximos oitos anos.Ele é acusado pela Polícia Federal de intermediar a venda de habeas-corpus para traficantes. A prova contra ele estaria em conversas telefônicasgrampeadas pela polícia, sendo que em algumas delas o próprio Landim explica comoé que funciona a ?indústria do habeas-corpus?.A intenção do deputado é reassumir o cargo no mês que vem, com o novo mandato que conquistou em outubro passado. Acredita que, com a renúncia, o caso será encerrado e não terá mais de prestar contas a seus colegas do Legislativo. Mas ascoisas podem não sair bem como ele deseja.O líder do PT, Nelson Pellegrino (BA),afirma que o partido, que ocupará a presidência da Casa, não vai atropelar os fatos, mas pode dar início ao processo de cassação do mandato de Landim, mesmo se, com sua renúncia, a tramitação do inquérito na Justiça repercutir negativamente na imagem da Casa.?Se o parecer do corregedor estiver bem fundamentado e se houver amparo regimental, não tenho dúvidas de que o processo será aberto?, prevê. O corregedor da Câmara, deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), entrega nesta quarta-feira à Mesa da Câmara parecer favorável à cassação de mandato de Pinheiro Landim.O processo é considerado aberto se a Mesa o encaminhar ao Conselho de Ética. Para o corregedor, as provas contra seu colega são consistentes. ?As insinuações, os telefonemas, oshorários marcados, mostram seu envolvimento na busca de facilidades (para traficantes)no Judiciário, que não condizem com o bom exercício da atividade parlamentar?, alega.Barbosa Neto disse que examinou a fundo os pontos reunidos pela Polícia Federal nos três anos em que investigou um dos maiores esquemas de narcotráfico do País. Seu parecer terá cerca de 40 páginas. A pena contra parlamentares punidos por quebra de decoro parlamentar é a inelegibilidade no período do mandato que estiver exercendo, mais os oitos anos seguintes.O advogado de Landim, Raul Livino, acredita que o caso será arquivado na nova legislatura, que começa dia 1º de fevereiro. Mas a tradição dos parlamentares é se orientar pela pressão popular, que não deve ?engolir? a idéia de manter noCongresso um deputado suspeito de envolvimento com o narcotráfico. O tráfico e suas conexões

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