Pinato deixa a Câmara dizendo que não se intimidará diante de ameaças

Relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética reafirma que fará seu papel de 'maneira isenta e transparente'; o vice-presidente do colegiado, Sandro Alex, denunciou em plenário que Pinato e sua família têm sido ameaçados

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2015 | 16h12

BRASÍLIA - O deputado Fausto Pinato (PRB-SP), relator do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deixou reunião com alguns parlamentares nesta quinta-feira, 19, dizendo que não vai se intimidar diante das ameaças. "Vou fazer o papel que fui escolhido de maneira isenta e transparente. Vou fazer o meu trabalho", disse Pinato.

O relator saiu da Câmara nesta tarde sem dar detalhes aos jornalistas sobre as ameaças que teriam feitas contra ele e sua família. Segundo participantes da reunião, Pinato revelou que, além da pressão e dos constrangimentos que vem sofrendo, recebeu ligações telefônicas e uma abordagem de dois homens em uma moto no interior de São Paulo. De acordo com relatos, os homens se aproximaram do carro de sua família, se dirigiram ao motorista de Pinato e disseram para que o deputado tomasse cuidado com o que estava fazendo, pois sua família era muito bonita e poderia se machucar.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA) comunicou que vai requisitar proteção da Polícia Federal ao parlamentar em Brasília e em São Paulo. O vice-presidente do colegiado, Sandro Alex (PPS-PR), fez a denúncia das ameaças em plenário e disse que tomou a decisão para proteger o parlamentar e sua família. "Ele tem sofrido ameaças nos últimos dias, principalmente nesta semana", contou Sandro Alex.

O vice-presidente do Conselho disse que não podia se calar diante da gravidade dos fatos. "Ele nos relatou que tem vivido momentos muito difíceis e momentos tensos, mas que vai cumprir sua função", emendou o deputado do PPS. 

Emocionado.Pinato se emocionou durante a sessão informal do Conselho de Ética desta quinta ao receber a solidariedade de outros parlamentares devido às ameaças. "Fico contente com o apoio que recebi dos principais líderes. Hoje é um momento histórico para o País", disse Pinato ao deixar a sessão.

O relator chegou a ficar com os olhos marejados diante da manifestação dos deputados, mas não quis falar em público sobre o episódio. "O País tem que sair muito mais forte disso. Hoje surgiu uma grande esperança", respondeu Pinato diante da insistência dos jornalistas para que falasse sobre as ameaças.

Mesmo diante da revogação da decisão da mesa diretora suspendendo a sessão desta manhã, os parlamentares contrários a Cunha fizeram uma sessão informal do Conselho de Ética que acabou se tornando um ato político contra o presidente da Casa. A Rede Sustentabilidade vai sugerir que todos os partidos não registrem presença em plenário e obstruam as sessões presididas por Eduardo Cunha. "A Câmara não pode funcionar sob a presidência dele", disse o líder do Rede, Alessandro Molon.

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