CHARLES SHOLL|FUTURA PRESS
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Pinato aciona Polícia Federal para investigar supostas ameaças

Em entrevista poucas horas após ser destituído do cargo, o deputado voltou a relatar as ameaças que ele e familiares teriam recebido e deu a entender que teria recebido, inclusive, propostas financeiras para salvar Cunha em seu relatório

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2015 | 19h47

BRASÍLIA - O deputado Fausto Pinato (PRB-SP) anunciou nesta quarta-feira, 9, que pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal abra inquérito para investigar supostos crimes de ameaça que teria sofrido enquanto estava na relatoria do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética. Em entrevista coletiva poucas horas após ser destituído do cargo, Pinato voltou a relatar as ameaças que ele e familiares teriam recebido e deu a entender que teria recebido, inclusive, propostas financeiras para salvar Cunha em seu relatório.

De acordo com o deputado, ele e seu motorista foram abordados em aeroportos por "pessoas desconhecidas". "Falaram para eu pensar na família, que tinha filho pequeno, irmão pequeno", contou. "Recebi aconselhamentos para pensar na minha vida pessoal, pensar no meu futuro", acrescentou, sinalizando propostas financeiras. Segundo ele, as ameças só pararam porque ele tomou medidas "cabíveis". Ele contou que contratou segurança particular e um amigo o emprestou carro blindado para sua família. "Também tenho um PM dormindo dentro da minha casa", disse.

Pinato ressaltou que tem como testemunha o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes. O parlamentar contou que, além da conversa reservada com o ministro da Justiça, procurou Moraes para fazer um Boletim de Ocorrência (B.O.) "reservado", para que não vazasse à imprensa. O deputado justificou que tomou tais medidas de formas secreta, porque não queria que isso interferisse nos trabalhos do Conselho de Ética. "Não posso dizer de onde as ameças partiram", afirmou.

O deputado e aliados, contudo, já haviamrelatado que Pinato vinha sofrendo ameaças no fim de novembro, inclusive no plenário da Câmara. Diante dos relatos, o presidente da Casa enviou ofício à Polícia Federal pedindo abertura de inquérito para investigar o caso. A PF, contudo, negou o pedido de Cunha. O órgão justificou que, de acordo com o Código Penal, crimes de ameaça só podem ser investigados se houver representação da própria vitima. Foi, então, que Pinato procurou o ministro José Eduardo Cardoso e fez o pedido.

Medo de morrer. Pinato contou que decidiu antecipar a apresentação de seu relatório, por medo de morrer. "Protocolei sim antes, porque fiquei com medo de morrer. E eu queria terminar minha missão e protocolar um relatório em cima da minha consciência", disse. "Só Deus e minha família sabem o que eu passei", acrescentou. Ele disse que não faz questão de voltar ao cargo de relator. "Briguem para que votem relatório pela admissibilidade. (...) O Brasil tem pressa, nós precisamos mostrar para o Brasil a verdade", afirmou, ressaltando que votará contra Cunha no Conselho.

O deputado destacou ainda que não denunciou nada relacionado a possíveis propostas financeiras para salvar o presidente da Câmara no colegiado, pois "questões de pressão e supostas propostas" fazem parte da pressão. "Não (cheguei a denunciar nada disso), porque até a questão de pressão e supostas propostas, isso faz parte, eu acho, da pressão do parlamentar. O parlamentar tem a dignidade e obrigação de aguentar", disse. "Mas a partir do momento em que se chega perto da vossa família isso se torna um pouco mais absurdo", emendou.

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